Estudo comparou pacientes que usavam antidepressivos ou benzodiazepínicos e acompanhou as mortes registradas por dois anos
Um estudo apontou uma possível associação entre o uso de antidepressivos e uma menor mortalidade entre pacientes com câncer submetidos à imunoterapia. A pesquisa comparou pessoas que utilizavam antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) com pacientes que faziam uso de benzodiazepínicos, medicamentos geralmente prescritos para ansiedade e insônia.
A pesquisa analisou 3.134 adultos com tumores sólidos, depressão ou ansiedade que haviam iniciado tratamento com imunoterapia. Do total, 1.567 pacientes utilizavam ISRS e foram comparados com outros 1.567 que usavam benzodiazepínicos. Os grupos foram pareados levando em conta 49 características, incluindo idade, condições de saúde, características do tumor, medicamentos e resultados de exames.
Durante os dois anos de acompanhamento, 23,5% dos pacientes que utilizavam antidepressivos morreram, contra 34,4% daqueles que faziam uso de benzodiazepínicos. Em números absolutos, foram registradas 368 mortes no primeiro grupo e 539 no segundo. Entre os medicamentos analisados estavam fluoxetina, sertralina e escitalopram.
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Os pesquisadores levantam a hipótese de que os ISRS possam influenciar o funcionamento do sistema imunológico e, dessa forma, complementar a ação dos medicamentos utilizados na imunoterapia. Esse tipo de tratamento atua bloqueando sinais que impedem as células de defesa de reconhecer e atacar os tumores.
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Apesar dos resultados, os autores ressaltam que o estudo não prova que os antidepressivos tenham causado a redução nas mortes. A pesquisa foi observacional, baseada em registros médicos, e novas investigações, incluindo estudos clínicos, serão necessárias para determinar se existe realmente um efeito dos ISRS sobre a sobrevivência de pacientes com câncer.