Enquanto israelenses respaldam ofensiva, maioria dos americanos rejeita conflito e pressiona governo
A escalada do conflito envolvendo o Irã tem provocado reações distintas entre Estados Unidos e Israel, evidenciando um contraste político e social significativo. Enquanto o apoio à guerra é majoritário entre os israelenses, nos EUA o cenário é de divisão e crescente rejeição à intervenção militar.
No território israelense, a população vive sob tensão constante. Em pouco mais de duas semanas de conflito, sirenes de alerta soaram mais de 60 mil vezes, diante da ameaça de centenas de mísseis e drones lançados pelo Irã e pelo grupo extremista Hezbollah. O saldo até agora é de cerca de 30 mortos e mais de 3.700 feridos.
Apesar do cenário de risco, o apoio popular à ofensiva militar liderada pelo governo de Benjamin Netanyahu permanece elevado. Levantamento do Instituto da Democracia de Israel indica que 81% da população aprovam a guerra índice que ultrapassa 90% quando considerados apenas os israelenses judeus.
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A adesão está diretamente ligada à percepção de que o Irã representa uma ameaça concreta à existência do Estado de Israel, especialmente por conta de seu programa nuclear e do arsenal de mísseis balísticos. Parte significativa da população acredita, inclusive, que a ofensiva pode neutralizar essas capacidades e até enfraquecer o regime iraniano.
Esse respaldo, no entanto, não se traduz automaticamente em ganhos políticos para Netanyahu. Pesquisas recentes mostram que, embora haja confiança na condução da guerra, a popularidade do premiê segue limitada. O apoio à sua liderança no conflito não se reflete, até o momento, em avanço consistente nas intenções de voto ou fortalecimento de sua coalizão no Parlamento.
Nos Estados Unidos, o cenário é distinto. A guerra tem colocado à prova a base política do presidente Donald Trump, especialmente entre apoiadores ligados ao movimento MAGA, onde surgem divergências sobre o envolvimento militar.
A rejeição ao conflito cresce à medida que aumentam os impactos econômicos e diplomáticos, como a alta nos preços do petróleo e do gás e o distanciamento de aliados estratégicos. Internamente, a pressão política também se intensifica, com críticas à condução da guerra e questionamentos sobre a real ameaça representada pelo Irã.
Um episódio que ampliou a crise foi a renúncia de Joe Kent, então diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo. Ele deixou o cargo após discordar da ofensiva, afirmando que o regime iraniano não representava risco iminente aos EUA e sugerindo que a decisão foi influenciada por interesses externos.
A reação de Trump à saída foi imediata e controversa, ao classificar Kent como “fraco em segurança”, o que gerou repercussão negativa, inclusive entre aliados.
Outro fator que influencia o apoio israelense à guerra é justamente o envolvimento dos Estados Unidos. Analistas apontam que uma eventual retirada americana poderia alterar o cenário, reduzindo o respaldo interno em Israel e aumentando a pressão por uma solução diplomática.
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Diante desse contexto, o conflito não apenas intensifica tensões no Oriente Médio, mas também revela divisões políticas internas e desafios estratégicos para os governos envolvidos