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Após mais de um ano afastada, delegada esposa de réu pela morte de gari retorna à Polícia Civil de Minas Gerais
Foto: Divulgação

Ana Paula Lamego Balbino foi afastada após o marido, Renê da Silva Nogueira Júnior, matar Laudemir de Souza Fernandes a tiros em agosto de 2025; retorno prevê ajustamento funcional por 90 dias.

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, retornou às atividades na Polícia Civil de Minas Gerais após mais de 400 dias afastada. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (15).

 

De acordo com a publicação, a servidora terá ajustamento funcional pelo período de 90 dias, entre 7 de outubro de 2026 e 4 de janeiro de 2027. Ana Paula estava afastada desde 27 de agosto de 2025, dois dias após o crime, inicialmente por motivos de saúde.

 

Na época, a delegada foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, uma vez que a pistola utilizada pelo marido no homicídio pertencia a ela. Em depoimento, Ana Paula afirmou que nunca autorizou Renê a portar ou utilizar suas armas.

 

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DELEGADA É ALVO DE INVESTIGAÇÃO ADMINISTRATIVA

 

Em abril de 2026, a Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta da delegada e possíveis infrações relacionadas ao caso.

 

Segundo as investigações, Renê saiu de casa armado com a pistola da esposa e se envolveu em uma discussão de trânsito durante a coleta de lixo. O caminhão em que Laudemir trabalhava teria provocado uma retenção momentânea dos veículos na via.

 

Conforme a denúncia do Ministério Público, o empresário teria reagido à situação e atirado contra o gari. O órgão também aponta que Renê portava ilegalmente a arma dentro do próprio veículo.

 

Ainda de acordo com a investigação, após o homicídio, o acusado teria tentado induzir a perícia a erro ao orientar a esposa a apresentar apenas uma das armas registradas em nome dela, ocultando aquela que teria sido usada no crime.

 

Renê foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual. Em 28 de janeiro de 2026, a Justiça determinou que ele fosse submetido a júri popular.

 

RELEMBRE O CASO

 

O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto de 2025, enquanto Laudemir realizava a coleta de resíduos em uma rua de Minas Gerais. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Renê teria se irritado com a presença do caminhão de lixo, alegando que o veículo atrapalhava o trânsito, e atirado contra o trabalhador.

 

Horas depois, o empresário foi localizado em uma academia e acabou preso. No dia seguinte, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou uma investigação para apurar se uma arma pertencente à delegada havia sido utilizada no homicídio.

 

 

Em 13 de agosto, a Justiça decretou a prisão preventiva de Renê após audiência de custódia. No decorrer das investigações, a polícia confirmou que a arma usada no crime pertencia a Ana Paula.

 

Em 18 de agosto, Renê confessou ter assassinado Laudemir, conforme informações divulgadas à época. Posteriormente, o Ministério Público apresentou a denúncia e pediu que o acusado fosse levado a júri popular.

 

Foto: Divulgação

 

Dois dias após o afastamento inicial da delegada, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o homicídio. Em setembro de 2025, Renê tornou-se réu pelo assassinato do gari.

 

O caso também teve desdobramentos judiciais nos meses seguintes. Em novembro de 2025, a Justiça negou um pedido para anular a confissão do empresário. Já em janeiro de 2026, foi determinada a realização do júri popular.

 

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Com o retorno de Ana Paula ao serviço público, a investigação administrativa sobre sua conduta permanece como um dos desdobramentos do caso, que envolve a morte do trabalhador e o uso de uma arma registrada em nome da delegada. 

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