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Política no Amazonas
Ari Moutinho Júnior transforma o plenário do TCE-AM em palco de ataques e envergonha a instituição. LEIA ARTIGO DO JORNALISTA ANTÔNIO ZACARIAS
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

Ao ofender moralmente seu colega Luís Fabian (foto à direita), Ari Moutinho Júnior ofendeu também o TCE e a sociedade amazonense

*Por Antônio Zacarias - A sessão desta segunda-feira no Tribunal de Contas do Amazonas escancarou um contraste que há tempos incomoda quem acompanha a Corte: de um lado, a liturgia do cargo, a urbanidade e o compromisso institucional; do outro, o destempero, a agressão pessoal e o uso do plenário como palco para ataques que nada acrescentam ao controle externo.

 

O conselheiro Ari Moutinho Júnior ultrapassou, mais uma vez, todos os limites do aceitável ao dirigir-se de forma ofensiva, desrespeitosa e pessoal ao também conselheiro Luís Fabian Barbosa. Não se tratou de crítica técnica, divergência de mérito ou debate de ideias — pilares legítimos de qualquer colegiado. O que se viu foi uma sucessão de ataques verbais, insinuações e ofensas que envergonham a instituição e fragilizam a autoridade moral do próprio Tribunal.

 

A gravidade não está apenas no tom. Está na reincidência. Não é a primeira vez que Ari Moutinho transforma sessões do TCE em arenas de confronto pessoal, desrespeitando colegas e rompendo com o mínimo de decoro exigido de quem ocupa um dos cargos mais relevantes da República no âmbito estadual. Quando o insulto vira método, o problema deixa de ser episódico e passa a ser de conduta.

 

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Mais preocupante ainda é que o conselheiro Ari Moutinho se arvora no papel de fiscal da moral alheia, distribuindo julgamentos pessoais como se fosse detentor de uma autoridade ética incontestável. Não é. Autoridade moral não se impõe aos gritos, nem se constrói com humilhação pública. Ela decorre de coerência, transparência e respeito — atributos que não se revelam em discursos agressivos e personalistas.

 

Há, inclusive, questionamentos públicos e recorrentes sobre o descompasso entre a trajetória funcional do conselheiro e o patrimônio que ostenta, temas que jamais foram devidamente esclarecidos à sociedade. Justamente por isso, causa estranheza — para dizer o mínimo — que se coloque na posição de inquisidor moral de terceiros, sem antes oferecer à opinião pública as explicações que dela se esperam em um regime republicano.

 

Em absoluto contraste, Luís Fabian Barbosa manteve-se fiel ao que se espera de um conselheiro: serenidade, compostura e respeito institucional. Não respondeu à provocação no mesmo nível, não devolveu ofensa com ofensa, não transformou a sessão em espetáculo. Agiu como magistrado de contas, não como agitador de plenário. Essa postura, em si, já é uma resposta eloquente.

 

O Tribunal de Contas do Amazonas não pode normalizar o descontrole verbal nem a agressão entre seus membros. Divergências existem — e são saudáveis. Ataques pessoais, não. Quando um conselheiro abandona o debate técnico para investir contra a honra de um colega, quem perde não é apenas o alvo da agressão: perde o Tribunal, perde a credibilidade institucional e perde a sociedade amazonense.

 

O controle externo exige firmeza, sim — mas exige, sobretudo, equilíbrio, decoro e responsabilidade. Sem isso, o discurso moralizante se esvazia, e o acusador acaba revelando mais sobre si do que sobre aqueles que tenta atingir.

 

No fim, a sessão deixou uma lição clara: respeito não se exige aos gritos — se conquista com postura. E, neste episódio, quem preservou o Tribunal foi quem não desceu ao nível do ataque.

 

VEJA VÍDEO DA SESSÃO:

 

 

 

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 *Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

 

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