Encontro é o terceiro entre pai e filho após período de 90 dias sem visitas
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, visita nesta quinta-feira o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, na véspera do último debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para sexta-feira, na TV Globo. O senador chegou ao condomínio do ex-mandatário por volta das 8h. Por ser advogado constituído no processo de Bolsonaro, pode visitá-lo todos os dias, pelo período de trinta minutos.
Esta é a terceira vez que os dois se encontram desde o fim de um período de 90 dias sem visitas, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro ocorre em meio à preparação do senador para o confronto e aos últimos ajustes da campanha antes do segundo turno, no domingo.
Jair Bolsonaro está preso após ter sido condenado pelo STF por participação na trama golpista que tentou impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Mesmo afastado dos atos eleitorais, o ex-presidente continua sendo uma referência política para o filho, que já relatou ter recebido conselhos do pai em encontros anteriores, embora evite detalhar o conteúdo das conversas em razão das restrições judiciais impostas a Bolsonaro.
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A visita acontece em meio a ajustes na estratégia de Flávio para o debate da Globo. Após avaliações internas sobre seu desempenho no confronto da Band, a campanha decidiu deixar Pablo Marçal fora da preparação e ampliar a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A intenção é que o senador adote uma postura menos agressiva, apresente propostas com maior objetividade e responda diretamente aos questionamentos de Lula.
Nas conversas anteriores, pai e filho trataram de temas relacionados à campanha, incluindo o cenário eleitoral e os principais assuntos em discussão na disputa presidencial. Entre eles estão segurança pública, custo de vida e suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que também apareceram no debate de domingo. Não há, até o momento, informações sobre os assuntos abordados no encontro desta quinta-feira.
No confronto da Band, Flávio insistiu nas críticas à política de segurança do governo e explorou suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente. Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que o candidato precisa equilibrar os ataques com a apresentação de propostas, sobretudo após a repercussão das declarações da coordenadora econômica Daniella Marques sobre o Bolsa Família.
CONVERSAS ANTERIORES
A redução da jornada de trabalho também esteve entre os assuntos discutidos por Flávio com o pai nas últimas semanas. Antes da votação da proposta que acabou com a escala 6x1, o senador conversou com o ex-presidente sobre o tema, em meio às preocupações de setores empresariais com os impactos econômicos da medida e ao desgaste eleitoral de uma posição contrária à mudança. Flávio acabou votando a favor do texto, aprovado pelo Senado na semana passada, mas manteve ressalvas sobre os efeitos para empresas e empregos.
Outro assunto presente nas conversas foi o cenário político de um eventual governo. Bolsonaro e Flávio discutiram a importância de evitar antecipar definições sobre cargos e disputas pelo comando da Câmara e do Senado, em um momento em que diferentes grupos aliados já começam a se movimentar em busca de espaço.
Na área econômica, um dos nomes que contam com a simpatia do ex-presidente é Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, para comandar o Ministério da Fazenda. Flávio, porém, ainda não definiu quem ocuparia a pasta e tem sinalizado que pretende formar uma administração com perfil técnico e participação de diferentes grupos políticos.
As visitas ocorrem mediante autorização judicial e estão sujeitas às restrições impostas a Jair Bolsonaro, que incluem a proibição de atividades político-eleitorais. Após o primeiro reencontro com o pai, Flávio reconheceu publicamente que recebeu conselhos do ex-presidente, mas evitou detalhar as conversas.
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— É óbvio que ele dá algumas dicas aqui, mas não vou ficar externando, porque pode ser interpretado de forma maldosa e ser revertido contra ele — afirmou na ocasião.