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Ataques israelenses perto de centros de ajuda deixam 32 mortos em Gaza, diz Defesa Civil
Foto: REUTERS/Ramadan Abed

Organização controlada pelo Hamas afirma que vítimas estavam nas imediações de pontos de distribuição de alimentos; Israel diz que fez disparos de advertência e investiga o caso.

A Defesa Civil de Gaza informou neste sábado (19) que 32 pessoas foram mortas e mais de 100 ficaram feridas por disparos israelenses nos arredores de dois centros de distribuição de ajuda humanitária no território palestino. O órgão é controlado pelo grupo Hamas.

 

Segundo o porta-voz Mahmoud Bassal, os disparos aconteceram perto de centros geridos pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma organização que conta com apoio de Israel e dos Estados Unidos e que atua na entrega de alimentos no território, onde mais de 2 milhões de pessoas enfrentam risco iminente de fome.

 

"Todos os dias vou lá e só recebemos balas", disse Abdul Aziz Abed, 37 anos, que estava com parentes em um dos locais no momento dos tiros. "Meus familiares e eu não conseguimos nada."

 

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A GHF negou a versão da Defesa Civil e classificou como "falsos" os relatos de que as mortes ocorreram perto de suas instalações.

 

Outras três testemunhas ouvidas pela AFP também atribuíram os disparos ao Exército israelense. Procurado, o Exército informou que identificou "suspeitos" se aproximando dos soldados na região de Rafah e que, após ignorarem pedidos para recuar, foram alvejados com tiros de advertência.

 

Segundo os militares, o episódio está sendo investigado. O comando afirmou ainda que o incidente ocorreu a cerca de 1 km de distância de um centro de ajuda que estava fechado no momento do ocorrido.

 

A Fundação Humanitária de Gaza começou a operar no território no fim de maio, após um bloqueio de dois meses e meio imposto por Israel à entrada de ajuda humanitária — apesar de alertas da ONU e de ONGs sobre o risco de fome em massa.

 

As principais agências da ONU e outras organizações humanitárias se recusam a cooperar com a GHF, alegando que a fundação serve a objetivos militares de Israel e viola princípios humanitários básicos.

 

Na última quarta-feira (17), a GHF confirmou a morte de 20 pessoas durante um tumulto em um de seus centros, mas atribuiu a responsabilidade a “agitadores no meio da multidão” que teriam atirado contra trabalhadores humanitários.

 

De acordo com a ONU, 875 pessoas morreram tentando obter comida desde o fim de maio, sendo 674 nas proximidades de centros da GHF. A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou na semana passada para um aumento de casos de desnutrição aguda em Gaza, com níveis “sem precedentes” registrados em duas de suas unidades.

 

Já a agência da ONU para refugiados palestinos, UNRWA, declarou neste sábado que tem alimentos suficientes para abastecer Gaza por mais de três meses, mas não consegue fazer as entregas devido ao bloqueio militar imposto por Israel.

 

O papa Leão XIV conversou por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e expressou “preocupação com a dramática situação humanitária da população de Gaza”, além de pedir a retomada das negociações por uma trégua.

 

As conversas indiretas entre Hamas e Israel foram interrompidas na sexta-feira (18), depois que o braço armado do movimento palestino acusou Netanyahu de bloquear os avanços diplomáticos.

 

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O conflito começou em 7 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas ao sul de Israel, que deixou 1.219 mortos, a maioria civis. Desde então, a ofensiva israelense já matou ao menos 58.765 pessoas em Gaza, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território, considerados confiáveis pela ONU.

 

Fonte: G1

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