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Ataques russos com mísseis balísticos deixam ao menos dez mortos em Kiev
Foto: Reprodução

Dos 27 mísseis balísticos lançados pela Rússia, a Ucrânia só conseguiu interceptar um devido à falta de equipamentos de defesa aérea, afirmou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky

Pelo menos dez pessoas morreram no sábado em Kiev e na região circundante da capital ucraniana durante um novo ataque com mísseis balísticos russos, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, hesita em autorizar a Ucrânia a produzir mísseis antiaéreos Patriot para interceptá-los. Dos 27 mísseis balísticos lançados pela Rússia, a Ucrânia só conseguiu interceptar um devido à falta de equipamentos de defesa aérea, afirmou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na rede social X.

 

Nos últimos meses, a Ucrânia tem solicitado repetidamente a seus aliados o fornecimento de mais mísseis interceptores Patriot de fabricação americana, atualmente sua única defesa eficaz contra ataques de mísseis balísticos, que são especialmente difíceis de neutralizar.

 

Desde junho, a Rússia intensificou o uso desse tipo de armamento de alta velocidade, causando a morte de dezenas de civis ucranianos.

 

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"É precisamente essa escassez de mísseis interceptores contra projéteis balísticos que encoraja a Rússia a continuar lançando esse tipo de ataque, que custa vidas humanas", acrescentou Zelensky.

 

As autoridades indicaram que dez pessoas morreram na capital após o ataque inimigo. "Foram relatados incêndios e danos em cinco distritos da capital", incluindo Solomiansky, onde duas pessoas morreram e "um prédio residencial de cinco andares foi parcialmente destruído e pegou fogo", disseram os serviços de emergência ucranianos no Telegram.

 

Mais de 30 pessoas ficaram feridas nos ataques, que atingiram cinco bairros da capital, de acordo com as autoridades. Entre os edifícios danificados está a embaixada da Lituânia. O ministro das Relações Exteriores do país divulgou imagens dos danos.

 

Um jornalista da AFP ouviu várias explosões em série em Kiev, que dispararam os alarmes de veículos estacionados nas ruas.

 

— Assim que o alarme soou, mal tive tempo de sair para o corredor, até a entrada do prédio, e tudo começou a tremer — disse à AFP Katerina Kravchenko, de 75 anos, moradora da capital.

 

Oksana, outra moradora de Kiev, disse ter ouvido "explosões verdadeiramente aterrorizantes".

 

— Então os estilhaços de vidro começaram a cair como chuva, as pessoas começaram a sair e as explosões continuaram — disse ele.

 

Do lado russo, o Ministério da Defesa afirmou que os ataques de "alta precisão" contra Kiev e sua região visavam "empresas do complexo militar-industrial e centros logísticos na Ucrânia".

 

'URGENTEMENTE'


"A Ucrânia precisa urgentemente de sistemas adicionais de defesa aérea e antimíssil, bem como de mísseis interceptores. A rapidez na tomada de decisões e nas entregas é crucial", escreveu o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sibiga, no sábado, no jornal X.

 

Trump, que no início de julho havia expressado sua disposição em autorizar a Ucrânia a produzir sistemas de defesa Patriot para combater ataques de mísseis balísticos russos, voltou a relativizar essa possibilidade na sexta-feira.

 

Zelensky "gostaria de ter sistemas Patriot e mísseis Tomahawk", explicou o magnata republicano durante uma reunião de gabinete aberta à imprensa na sexta-feira.

 

— Essas armas são incríveis. Devemos ter muita cautela antes de permitir que alguém as produza — alertou ele. — Ainda não demos nossa aprovação. Estamos discutindo o assunto.

 

O presidente havia declarado ao Financial Times na quinta-feira que "não tinha certeza" se daria sinal verde para Kiev produzir esses interceptores, os únicos capazes de abater mísseis balísticos russos.

 

Mas, num momento em que Moscou intensifica seus ataques, a Ucrânia precisa desesperadamente deles. A escassez se agravou desde a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no final de fevereiro.

 

Entretanto, a Ucrânia está intensificando os ataques contra cidades russas distantes da fronteira, uma campanha que, segundo Kiev, tem como alvo infraestruturas, particularmente instalações petrolíferas.

 

Segundo uma análise da AFP com base em relatórios diários da Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou um número recorde de 376 mísseis contra a Ucrânia durante o mês de julho, mais do que o dobro do total de junho.

 

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