Após seguir recomendação vista na internet, jovem desenvolveu lesão grave no fígado e faz alerta sobre os riscos do uso de remédios sem orientação médica.
Um estudante do Distrito Federal passou por 12 dias de internação após desenvolver hepatite medicamentosa provocada pelo uso de um remédio para verme tomado sem prescrição médica. O caso começou depois que o jovem viu, em uma rede social, recomendações sobre o uso preventivo anual do medicamento contra parasitoses.
Identificado apenas pelas iniciais G.O.F., o estudante decidiu utilizar Annita, medicamento à base de nitazoxanida, seguindo orientações descritas na bula. Sem acompanhamento profissional, ele tomou o remédio durante três dias consecutivos, em doses a cada 12 horas.
Nos dias seguintes, começaram os primeiros sintomas, inicialmente leves. O jovem apresentou enjoo, dificuldade para se alimentar, constipação e mal-estar. Tentando aliviar os desconfortos, utilizou outros medicamentos comuns, como omeprazol e dimenidrinato, mas o quadro piorou rapidamente.
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O sinal mais alarmante surgiu quando percebeu os olhos e a pele amarelados, além da urina escura e fezes claras. Assustado, procurou atendimento médico em uma Unidade Básica de Saúde, onde exames apontaram alterações severas no fígado, com níveis extremamente elevados de enzimas hepáticas e bilirrubina.
Encaminhado ao pronto-socorro com suspeita de intoxicação medicamentosa, o estudante realizou exames de imagem que descartaram problemas estruturais, como obstrução biliar. O diagnóstico final foi hepatite medicamentosa, inflamação causada pela reação do organismo a substâncias químicas presentes em medicamentos.
Durante a internação, o jovem relatou momentos de medo e insegurança. Segundo ele, a recuperação começou após a suspensão do medicamento e o acompanhamento médico adequado. Hoje, reconhece que errou ao se automedicar.
“Fui irresponsável. Deveria ter procurado um médico antes”, afirmou. Ele agora usa a própria experiência para alertar outras pessoas sobre os riscos de seguir orientações de saúde encontradas na internet sem avaliação profissional.
De acordo com o clínico geral Paulo Camiz, do Hospital Sírio-Libanês, a hepatite medicamentosa ocorre quando substâncias externas provocam danos ao fígado. Além de antiparasitários, medicamentos como paracetamol, antibióticos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e até suplementos naturais podem desencadear o problema.
Os sintomas mais comuns incluem enjoo, vômitos, cansaço excessivo, dor abdominal, urina escura, fezes claras e icterícia condição caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. Em casos mais graves, pode haver insuficiência hepática e necessidade de transplante.
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Especialistas alertam que mesmo medicamentos considerados simples podem provocar reações graves, especialmente em pessoas com predisposição individual. Por isso, a recomendação é evitar a automedicação e buscar orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento.