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AVISO AOS NAVEGANTES: Máquina não vota; quem decide eleição é o povo
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Por Antônio Zacarias - É, seu José, uma máquina pesa muito numa eleição; duas máquinas pesam muito mais.

 

— Será mesmo assim?

Nem sempre.

 

A história eleitoral do Amazonas — e do Brasil — prova, repetidas vezes, que o apoio da máquina pública, seja municipal ou estadual, não é garantia de vitória nas urnas. Pode ajudar, pode facilitar caminhos, mas não substitui aquilo que realmente decide uma eleição: o voto livre do povo.

 

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Se máquina pública fosse fator determinante e absoluto, Roberto Cidade teria sido prefeito de Manaus em 2024. Tinha apoio político, estrutura, trânsito institucional. E, ainda assim, não chegou sequer ao segundo turno. O eleitor decidiu de outra forma. Afinal, estrutura não corrige rejeição — e carisma não se decreta por decreto.

 

Voltando um pouco no tempo, em 1990, Wilson Alecrim disputou o governo do Amazonas com o apoio do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, nome forte da política local. Ainda assim, foi derrotado por Gilberto Mestrinho, que tinha menos máquina, mas mais conexão com o eleitorado.

 

No interior do estado, o exemplo de Parintins é emblemático. Com um dos maiores colégios eleitorais do Amazonas, o município teve Brena Dianná como candidata apoiada pela máquina pública estadual. Mesmo assim, foi derrotada nas urnas. O eleitor parintinense fez sua escolha sem se submeter ao peso do poder institucional.

 

E os exemplos não param por aí.

 

Em Manaus, 2004, o então prefeito Amazonino Mendes, no auge do poder político e com forte influência institucional, foi derrotado por Serafim Corrêa. Uma vitória que simbolizou claramente que nem mesmo um dos políticos mais poderosos da história do Amazonas é imbatível quando o povo decide mudar.

 

Em 1988, outro caso histórico: Arthur Virgílio Neto venceu Gilberto Mestrinho, uma verdadeira lenda da política amazonense. Mestrinho tinha história, força e estrutura; Arthur tinha o discurso, o sentimento de mudança e o voto popular. Venceu quem convenceu o eleitor.

 

Se ampliarmos o olhar para o Brasil, os exemplos se multiplicam. Governadores não elegeram sucessores, prefeitos viram candidatos oficiais serem rejeitados, e máquinas robustas foram derrotadas por campanhas mais simples, porém mais sintonizadas com o sentimento popular.

 

A razão é simples e profunda:

a força de uma prefeitura ou de um governo não substitui a liberdade democrática da escolha popular.

A máquina pode oferecer palanque, logística e visibilidade. Mas não compra confiança, não cria empatia e não obriga o eleitor a apertar um número na urna.

 

Na democracia, o que decide uma eleição é o voto popular.

 

É a vontade do povo que se impõe sobre o poder político estabelecido — e não o contrário.

 

É nesse princípio que a democracia se sustenta.

 

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E é por isso que, eleição após eleição, o povo segue lembrando aos poderosos uma verdade incômoda:

mandato não se herda, não se impõe e não se transfere — se conquista.

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