Pesquisa identificou microrganismos mais frequentes em adultos com níveis elevados de impulsividade e comportamento antissocial, mas não comprova que as bactérias provoquem essas características
Um estudo publicado em 7 de agosto na revista Translational Psychiatry identificou uma possível relação entre a composição da microbiota humana e a presença de traços associados à psicopatia em adultos. A pesquisa analisou bactérias encontradas no intestino e na boca e comparou os resultados com características de personalidade dos participantes.
Os cientistas observaram que alguns microrganismos estavam mais presentes entre pessoas que apresentaram pontuações mais elevadas em características como impulsividade, comportamento antissocial e menor empatia. Apesar do resultado, os pesquisadores ressaltam que a descoberta indica apenas uma associação e não permite afirmar que as bactérias sejam responsáveis pelo comportamento.
O trabalho envolveu 200 adultos considerados saudáveis. Os participantes responderam a um questionário utilizado para avaliar traços psicopáticos e também forneceram amostras de sangue, saliva e fezes.
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A partir desse material, os pesquisadores analisaram a composição da microbiota em busca de possíveis padrões relacionados às respostas dos questionários. A diversidade geral das bactérias, porém, não apresentou uma relação clara com os níveis de traços psicopáticos.
A diferença surgiu quando os pesquisadores compararam grupos de participantes. Nessa análise, três microrganismos apresentaram maior frequência entre aqueles que obtiveram pontuações mais altas.
QUAIS BACTÉRIAS FORAM IDENTIFICADAS
Entre as bactérias associadas positivamente aos traços avaliados estão os gêneros Allisonella e Prevotella, além da espécie Cloacibacillus evryensis.
Segundo os pesquisadores, alguns desses microrganismos já foram relacionados anteriormente a processos inflamatórios e a alterações em mecanismos ligados ao funcionamento cerebral.
Uma das hipóteses levantadas envolve a capacidade de determinadas bactérias influenciarem substâncias relacionadas ao sistema nervoso. A Cloacibacillus evryensis, por exemplo, pode estar relacionada à produção de GABA, um neurotransmissor que participa da regulação de processos como o controle dos impulsos.
Em sentido contrário, a bactéria oral Treponema vincentii foi encontrada em maior quantidade entre os participantes com pontuações mais baixas nos traços analisados. Os autores, no entanto, ainda não conseguiram explicar essa associação.
RESULTADO NÃO COMPROVA CAUSA E EFEITO
Apesar dos achados, os pesquisadores reforçam que não é possível afirmar que a microbiota cause traços de psicopatia. A relação também pode ocorrer no sentido inverso, com hábitos e características comportamentais influenciando a composição das bactérias presentes no organismo.
Os próprios autores destacam que esse é um estudo inicial sobre o tema e que outros fatores, incluindo aspectos relacionados ao funcionamento cerebral, continuam sendo fundamentais para compreender a psicopatia.
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Além disso, os resultados ainda precisam ser confirmados por pesquisas maiores e mais aprofundadas. O trabalho, portanto, aponta uma possível conexão entre microbiota e personalidade, mas não permite concluir que determinadas bactérias sejam responsáveis por comportamentos psicopáticos.
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