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Bombeiro militar vira réu por matar estudante de medicina durante briga de trânsito em São Paulo
Foto: Divulgação

Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e manteve o acusado sob prisão preventiva; jovem de 23 anos foi baleado em Taubaté após discussão entre os motoristas.

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou réu o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, acusado de matar o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, durante uma briga de trânsito em Taubaté, no interior paulista. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (9) pelo juiz Flavio de Oliveira Cesar, da Vara da Infância e Juventude do município.

 

O bombeiro responderá por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A Promotoria também pediu que ele seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.

 

De acordo com a acusação apresentada pelo promotor Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo, Marcos Paulo teria saído do próprio veículo, se aproximado do carro conduzido por Bruno e golpeado o vidro até quebrá-lo. Na sequência, teria efetuado os disparos contra o estudante.

 

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Bruno chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

 

O Ministério Público sustenta que as circunstâncias do crime não justificariam a violência utilizada. A denúncia aponta que a vítima teria sido surpreendida durante a ocorrência, sem condições de se defender dos disparos.

 

Marcos Paulo está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. Ele se entregou à polícia no dia 7 de outubro, após ter a prisão decretada. Na véspera da decisão que o tornou réu, passou por uma nova audiência de custódia, na qual a prisão foi mantida.

 

A defesa do bombeiro foi procurada para comentar a decisão judicial, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.

 

RELEMBRE O CASO

 

O crime ocorreu em 30 de setembro, na Avenida Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté. Durante depoimento à polícia, Marcos Paulo alegou que acreditava estar sendo vítima de uma tentativa de assalto.

 

Segundo o relato do bombeiro, ele teria visto um objeto prateado nas mãos de Bruno e pensado que se tratava de uma arma de fogo. O acusado também afirmou que o estudante teria quebrado o vidro de seu carro antes dos disparos.

 

A versão apresentada pelo bombeiro, porém, foi questionada durante a investigação. Conforme o boletim de ocorrência, não foram identificados elementos objetivos que demonstrassem que Bruno tivesse anunciado um assalto ou exibido uma arma. O delegado responsável pelo caso afastou a hipótese de legítima defesa ao decidir pela prisão preventiva.

 

A ocorrência foi registrada no 1º Distrito Policial de Taubaté como homicídio consumado.

 

CÂMERA REGISTROU O INÍCIO DA DISCUSSÃO

 

Imagens de uma câmera de segurança registraram o início da briga de trânsito que terminou na morte do estudante. A gravação foi feita por volta das 6h58, em uma curva de acesso ao túnel que liga a Rua Professora Maria Escolástica de Jesus à Avenida Professor Walter Thaumaturgo.

 

No vídeo, os dois veículos aparecem seguindo na mesma direção, cada um em uma faixa. Na entrada do túnel, onde a pista passa a ter uma única faixa, o Jeep Renegade preto conduzido pelo bombeiro ultrapassa pela direita o Chevrolet Prisma dirigido por Bruno.

 

Após a manobra, o estudante buzina. Em seguida, o bombeiro freia e, logo depois, avança, enquanto o trânsito continua. O registro mostra os momentos anteriores aos disparos que mataram o jovem.

 

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Outras imagens também registraram Bruno correndo pela calçada com a mão no peito após ser baleado. 

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