A SMIC se beneficia do boom da IA, elevando a demanda por chips e impulsionando pedidos de outros produtos
A Semiconductor Manufacturing International Corp. (SMIC), maior fabricante de chips por contrato da China, afirmou que vem sendo beneficiada indiretamente pelo avanço da inteligência artificial (IA). O crescimento dos investimentos em infraestrutura de IA aumentou a demanda por semicondutores utilizados em componentes que dão suporte aos sistemas, além de impulsionar pedidos de produtos sem relação direta com a tecnologia.
Durante uma teleconferência de resultados nesta sexta-feira (14), o co-CEO da companhia, Zhao Haijun, afirmou que a SMIC recebeu um volume crescente de encomendas de chips destinados a aplicações de IA.
Segundo o executivo, os data centers precisam de um amplo conjunto de semicondutores além das unidades de processamento gráfico (GPUs). Entre os componentes estão chips de gerenciamento de energia e soluções para transmissão de dados.
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Um rack de servidor de IA de alta densidade equipado com 72 GPUs pode demandar mais de 16 mil componentes relacionados ao gerenciamento e fornecimento de energia. De acordo com Zhao, esses chips de suporte estão em falta e a escassez deve continuar no longo prazo.
A demanda por capacidade de computação para IA cresce em meio ao aumento dos investimentos das grandes empresas de tecnologia. Os gastos das chamadas hyperscalers dos Estados Unidos com IA devem chegar a US$ 800 bilhões neste ano, enquanto companhias chinesas de internet também ampliam os investimentos em infraestrutura.
A expansão da produção voltada à inteligência artificial também tem provocado efeitos em outros segmentos do mercado. Segundo Zhao, áreas que não estão diretamente ligadas à IA enfrentam escassez de semicondutores porque fabricantes globais priorizam sua capacidade para atender aos pedidos relacionados à tecnologia.
Com isso, clientes internacionais e chineses passaram a transferir parte das encomendas para fabricantes instalados na China, principalmente em processos de produção mais antigos. O movimento beneficia empresas como a SMIC.
Fabricantes de eletrônicos de consumo, incluindo televisores e computadores, também começaram a recompor estoques diante da expectativa de recuperação da demanda no próximo ano.
Esse cenário ajudou a SMIC a registrar preços médios de venda mais elevados e uma taxa de utilização de sua capacidade superior à esperada.
Os fatores contribuíram para que a empresa alcançasse receita trimestral recorde e margem bruta acima das previsões no segundo trimestre, mesmo com o aumento dos custos de depreciação provocado pela expansão da capacidade produtiva.
Após negociar novos valores com clientes, a SMIC informou que os reajustes nos preços dos wafers deverão aparecer nos embarques do terceiro trimestre. A expectativa da companhia é que os aumentos ajudem a elevar a margem bruta para entre 26% e 28%.
A empresa projeta que os custos de depreciação cresçam 30% neste ano, chegando a US$ 5 bilhões. O valor deve continuar aumentando à medida que a companhia avalia novos projetos de expansão.
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As ações da SMIC negociadas em Hong Kong encerraram o pregão desta sexta-feira (14) com alta de 4,8%.