De acordo com levantamento feito pela OMS, o Brasil é um dos países do mundo que mais faz partos cesarianos, com média de 55% do total
O Brasil segue entre os países com maiores índices de partos cesarianos do planeta. De acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde, cerca de 55% dos nascimentos no país acontecem por meio de cirurgia, número considerado muito acima do recomendado por especialistas.
Mesmo com campanhas de conscientização e esforços para reduzir procedimentos sem necessidade médica, a procura pela cesariana continua crescendo no país. Dados analisados por pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde, ligado ao Hospital Israelita Albert Einstein, mostram que entre 2009 e 2023 os partos vaginais caíram 39% no Sistema Único de Saúde, enquanto as cesarianas registraram aumento expressivo.
O estudo também revelou mudanças em diferentes regiões do Brasil. No Nordeste, por exemplo, onde historicamente os índices de cesárea eram menores, houve crescimento significativo desse tipo de parto. Em quase todos os estados brasileiros o aumento foi observado, com poucas exceções.
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Especialistas apontam que a alta taxa de cesarianas no país está ligada a fatores culturais, estruturais e sociais. Entre eles estão o medo da dor durante o parto normal, a percepção de que a cirurgia seria mais segura, além da possibilidade de programar data e horário do nascimento.
Outro fator destacado por médicos é a própria estrutura hospitalar. O parto normal exige acompanhamento prolongado, equipes treinadas e infraestrutura adequada, algo que nem sempre está disponível em hospitais públicos e privados.

Foto: Reprodução
Apesar de a cesariana ser um procedimento essencial em situações de risco e capaz de salvar vidas, especialistas alertam que a cirurgia sem necessidade clínica pode trazer complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.
Entre os riscos para a mulher estão hemorragias, infecções, trombose, complicações anestésicas e recuperação mais lenta. Para o recém-nascido, a cesárea eletiva pode aumentar as chances de desconforto respiratório e necessidade de internação em UTI neonatal.
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Pesquisadores defendem que reduzir o número de cesarianas desnecessárias passa por melhor informação para gestantes, capacitação de profissionais de saúde e investimentos em equipes multiprofissionais e infraestrutura hospitalar, garantindo um parto mais seguro e humanizado.