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Brasil registra milhares de terremotos, mas casos com mortes e grandes danos são raros
Foto: Divulgação

Apesar da baixa frequência de abalos significativos, o país acumula registros históricos de tremores que causaram destruição, vítimas e marcaram diferentes regiões.

Embora esteja distante das principais zonas de atividade tectônica do planeta, o Brasil já registrou milhares de terremotos ao longo da história. Na maioria das vezes, os tremores são de baixa intensidade, mas alguns episódios provocaram danos materiais, desabrigados e até mortes.

 

De acordo com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), entre 1720 e 2023 foram catalogados 5.571 abalos sísmicos em território nacional. Nesta semana, moradores do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá voltaram a sentir o chão tremer devido aos fortes terremotos que atingiram a Venezuela, demonstrando que eventos ocorridos em países vizinhos também podem ser percebidos no Brasil.

 

Segundo especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), as ondas sísmicas geradas em regiões como os Andes e o Caribe podem se propagar por longas distâncias. Em áreas urbanas, especialmente onde há edifícios altos, a sensação dos tremores costuma ser mais perceptível.

 

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Em média, o Brasil registra cerca de 20 terremotos por ano com magnitude superior a 3,0 e aproximadamente dois acima de 4,0 na escala Richter. Já eventos superiores a 7,0 são considerados extremamente raros, com expectativa de ocorrerem apenas uma vez a cada 500 anos.

 

Os registros históricos mostram que os tremores fazem parte da história do país desde o período imperial. Em 1886, um terremoto sentido em Petrópolis despertou o interesse de Dom Pedro II, que determinou a realização do primeiro estudo científico sobre o fenômeno no Brasil. O abalo teve magnitude estimada em 4,3.

 

O maior terremoto já registrado em território brasileiro ocorreu em 1955, no Mato Grosso, próximo a Cuiabá, alcançando magnitude 6,2. Apesar da intensidade, o epicentro ficava distante das áreas mais povoadas, reduzindo os impactos sobre a população.

 

Outro fator que ajuda a minimizar os danos é a profundidade dos abalos. Em alguns casos, terremotos de grande magnitude registrados na região de fronteira entre Brasil e Peru ocorreram a cerca de 600 quilômetros de profundidade, o que diminuiu significativamente seus efeitos na superfície.

 

A região Nordeste concentra a maior atividade sísmica do país devido à presença de falhas geológicas mais ativas. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em João Câmara (RN), em 1986, quando um terremoto de magnitude 5,1 danificou mais de quatro mil imóveis e deixou cerca de 26 mil pessoas desalojadas.

 

No Ceará, tremores registrados em 1968 e 1980 também provocaram rachaduras em prédios, desabamentos de residências e a morte de um homem durante um dos episódios.

 

A primeira morte oficialmente reconhecida pelo Serviço Geológico do Brasil causada diretamente por um terremoto ocorreu em 2007, em Caraíbas, Minas Gerais. Um tremor de magnitude 4,9 derrubou casas da comunidade e provocou a morte da menina Jesiane Oliveira da Silva, de cinco anos. Sua irmã gêmea ficou gravemente ferida.

 

Além das causas naturais, especialistas destacam que algumas atividades humanas, como construção de barragens, mineração e exploração de petróleo, também podem induzir pequenos tremores. Por isso, o monitoramento sísmico no país vem sendo ampliado para acompanhar a movimentação do subsolo e aprimorar os estudos sobre esse tipo de fenômeno.

 

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Apesar dos registros históricos, os especialistas reforçam que o Brasil continua sendo um dos países com menor risco de grandes terremotos, graças à sua localização no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de encontro entre placas tectônicas. 

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