Fundada na década de 1960, instituição afirma unir mediunidade e ciência para interferir em fenômenos naturais
Fundada em 1931 por Ângelo Scritori, a Fundação Cacique Cobra Coral voltou aos holofotes após renovar um acordo de cooperação com a Prefeitura do Rio de Janeiro por mais 25 anos. A entidade afirma atuar para “intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza” e diz unir mediunidade e ciência para lidar com fenômenos naturais.
A história da fundação está ligada a uma experiência vivida por Scritori no Paraná. Segundo o relato da própria instituição, durante uma forte geada que destruiu plantações de café da família, o médium teria incorporado o espírito de Padre Cícero. Anos depois, sua filha Adelaide Scritori teria começado a receber mensagens atribuídas ao Cacique Cobra Coral, entidade espiritual que, segundo a fundação, já teria sido Galileu Galilei e Abraham Lincoln.
A instituição passou a ampliar sua atuação a partir da década de 1980 e começou a firmar acordos com órgãos públicos e participar de grandes eventos. No Rio de Janeiro, a fundação manteve parcerias relacionadas principalmente a períodos de grandes eventos e ao Réveillon. Em 1985, por exemplo, um convênio com o governo de Santa Catarina já previa a atuação da entidade em questões ligadas ao “controle da natureza”.
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Apesar de se apresentar como uma organização que combina espiritualidade e conhecimento científico, a Fundação também conta com profissionais da área de meteorologia. O meteorologista Luiz Fernando Matos é apontado como responsável técnico da instituição. A própria Adelaide já declarou que as operações são monitoradas e estudadas cientificamente, embora a capacidade de interferir diretamente em fenômenos naturais não tenha comprovação científica.
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Adelaide (Foto: Luiz Ernesto Magalhães / O Globo)
Ao longo dos anos, a Fundação Cacique Cobra Coral também buscou contato com autoridades e instituições fora do Brasil. A entidade afirma ter oferecido seus serviços à então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e ao ex-presidente iraquiano Saddam Hussein. Em 2003, o escritor Paulo Coelho chegou a ser anunciado como vice-presidente da fundação, com a missão de estabelecer contatos na Europa.
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Fundação Cacique Cobra Coral. (Foto: Reprodução)
A manutenção financeira da entidade também chama atenção. A Fundação afirma não cobrar pelos serviços, mas documentos de antigos convênios mostram a participação de empresas ligadas a Osmar Santos, marido de Adelaide e porta-voz da instituição. Entre elas está a Tunikito Corporation, ligada ao setor de seguros e apresentada como mantenedora oficial da Fundação.
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Agora, a renovação do acordo com a Prefeitura do Rio coloca novamente a entidade no centro das atenções. O anúncio provocou repercussão nas redes sociais e uma série de memes após a previsão de novos vendavais na cidade não se confirmar com a intensidade esperada. Enquanto a Fundação defende sua atuação, não há evidência científica estabelecida de que intervenções mediúnicas sejam capazes de controlar chuvas, ventos ou outros fenômenos meteorológicos.