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Câmara acelera projeto que pode enfraquecer fiscalização ambiental e gera alerta após ataque na Amazônia
Foto: Divulgação/Ibama

Autoridades destroem área de garimpo em território yanomami, na Amazônia brasileira

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um regime de urgência que pode mudar drasticamente a forma como o país combate crimes ambientais. A medida abre caminho para votação rápida de um projeto que limita a atuação do IBAMA, especialmente em operações contra desmatamento ilegal.

 

O ponto mais polêmico do texto atinge diretamente uma das principais armas da fiscalização moderna. A proposta proíbe que embargos ambientais sejam aplicados apenas com base em monitoramento remoto, como imagens de satélite. Na prática, o órgão terá que avisar previamente o suspeito e dar prazo para defesa antes de agir.

 

Especialistas alertam que isso pode mudar completamente a lógica da fiscalização. Em vez de impedir o dano imediatamente, o processo pode permitir que a destruição avance antes de qualquer intervenção, reduzindo o efeito das operações e enfraquecendo o princípio da precaução.

 

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A mudança também pode afetar outras ações, como a destruição de equipamentos usados em crimes ambientais. Isso é visto como um dosprincipais fatores de dissuasão contra atividades ilegais em áreas isoladas, onde a retirada de máquinas é muitas vezes inviável.

 

A proposta faz parte de um pacote de projetos que tiveram tramitação acelerada, e todos podem ser votados rapidamente no plenário, sem passar pelas comissões.

 

O avanço ocorre em meio a um cenário cada vez mais tenso na região amazônica. No último fim de semana, fiscais do IBAMA foram atacados durante uma operação contra exploração ilegal de madeira no Amazonas. O grupo precisou fugir e se esconder na mata após ser alvo de homens armados, enquanto a viatura foi incendiada.

 

O episódio escancarou o risco crescente enfrentado por agentes ambientais, especialmente em áreas dominadas por organizações criminosas. Segundo relatos, o crime organizado vem ampliando sua atuação na Amazônia, usando atividades ambientais ilegais como nova fonte de renda e até para lavagem de dinheiro.

 

Servidores afirmam que, além da violência, há uma pressão constante para flexibilizar as regras, o que pode aumentar a sensação de impunidade. Para técnicos e entidades do setor, o uso de tecnologia e monitoramento remoto é essencial para garantir alguma efetividade nas operações, já que muitas regiões são de difícil acesso e extremamente perigosas.

 

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O debate promete esquentar ainda mais nos próximos dias, com ambientalistas de um lado alertando para retrocessos e, de outro, defensores da proposta argumentando por mudanças nas regras atuais. 

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