Mudança na Constituição começou a avançar após eleições e ainda é negociada entre partidos políticos do centro, que buscam apoio do PT e de parte do PL
Lideranças da Câmara dos Deputados discutem uma proposta que pode mudar a forma como os brasileiros escolhem deputados federais, estaduais e distritais. A ideia é substituir o atual modelo proporcional pelo chamado sistema distrital misto, que combina a eleição de candidatos por regiões com a distribuição de vagas conforme o desempenho dos partidos.
A articulação ganhou força após as eleições de 2026, em meio a conversas entre dirigentes partidários e integrantes da cúpula do Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende a retomada das discussões sobre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para viabilizar a mudança. O tema também foi tratado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Atualmente, as vagas são distribuídas pelo sistema proporcional, que considera a votação recebida pelos partidos e federações. Nesse modelo, candidatos com muitos votos podem ajudar a eleger outros integrantes da mesma legenda. Já no sistema distrital misto, parte dos parlamentares seria escolhida diretamente pelos eleitores de cada região, enquanto as demais vagas seriam preenchidas por meio de listas partidárias.
Veja também

Lula negocia ministérios com partidos do Centrão para ampliar apoio no Congresso
PT organiza comemoração pela vitória de Lula no Distrito Federal neste domingo
A proposta prevê que o eleitor tenha dois votos: um para escolher o candidato que disputará a vaga de seu distrito e outro para indicar o partido de sua preferência. A divisão dos distritos ainda precisaria ser definida, possivelmente com base em critérios populacionais e territoriais. Entre as alternativas discutidas está uma transição gradual, com possibilidade de adoção de um modelo intermediário em 2030 e implantação completa do sistema misto em 2034.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Apesar das articulações, a mudança enfrenta resistência de diferentes partidos. Algumas legendas temem perder espaço, enquanto representantes de grupos políticos menores alertam para possíveis dificuldades na eleição de mulheres e candidatos negros. Também há preocupação com a influência de grupos criminosos e milícias em determinadas regiões. Defensores do projeto, por outro lado, afirmam que o novo formato pode aproximar os parlamentares da população e reduzir os custos das campanhas eleitorais.