Estudo afirma que indicações foram registradas em nome de líderes partidários, sem identificar os deputados que escolheram os beneficiários
Um relatório divulgado pela Transparência Brasil aponta que a Câmara dos Deputados indicou cerca de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem identificar os parlamentares responsáveis pelas solicitações. O levantamento afirma que o modelo mantém características semelhantes às do chamado “orçamento secreto”, marcado pela falta de transparência na origem das indicações.
Segundo o estudo, foram registradas 1.341 emendas de comissão em 2025 em que os recursos aparecem vinculados a lideranças partidárias, mas sem informar quem foi o deputado responsável pela indicação. As informações constam em registros internos das bancadas, que, segundo a entidade, não estão disponíveis para consulta pública.
O levantamento aponta que sete partidos fizeram indicações nesse formato: PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade. O valor representa aproximadamente 16% do total destinado por meio de emendas de comissão no período analisado.
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A Transparência Brasil afirma que a falta de identificação dos autores dificulta o acompanhamento da aplicação do dinheiro público e impede que a sociedade saiba quais parlamentares foram responsáveis pela destinação das verbas. A entidade defende a criação de mecanismos que permitam rastrear cada indicação desde a origem até o beneficiário final.
Fotos: Reprodução/G1
O relatório também aponta que parte significativa desses recursos passou pela Comissão de Saúde, com cerca de R$ 818,1 milhões em indicações feitas nesse modelo. A organização avalia que o formato das chamadas “emendas de liderança” reproduz práticas semelhantes às que levaram o Supremo Tribunal Federal (STF) a exigir mais transparência nas emendas parlamentares.
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Após a divulgação do estudo, o debate sobre a transparência das emendas voltou ao centro das discussões políticas em Brasília. A Câmara ainda não divulgou uma manifestação detalhada sobre os apontamentos apresentados pela Transparência Brasil.