Inchaço abdominal persistente, dor na região pélvica e sensação de estômago cheio rapidamente estão entre os sintomas que merecem atenção, principalmente quando duram semanas ou se tornam frequentes.
O câncer de ovário é uma doença que pode ser difícil de identificar nas fases iniciais porque seus primeiros sinais costumam ser discretos e semelhantes a problemas comuns do dia a dia. Inchaço na barriga, desconforto abdominal e vontade frequente de urinar, por exemplo, nem sempre indicam algo grave. No entanto, quando esses sintomas persistem ou fogem do padrão habitual, precisam ser investigados.
Segundo a oncologista Nanditha Sesikeran, em entrevista ao site indiano HealthShots, os sinais iniciais podem ser vagos e facilmente confundidos com alterações digestivas ou urinárias. Essa dificuldade de reconhecimento pode contribuir para que parte dos casos seja diagnosticada em estágios mais avançados, quando o tratamento tende a ser mais complexo.
É importante destacar que apresentar um desses sintomas não significa necessariamente ter câncer. O que merece atenção é a frequência, a persistência e a combinação dos sinais, especialmente quando não há uma explicação evidente.
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5 SINTOMAS QUE MERECEM ATENÇÃO
1. INCHAÇO ABDOMINAL QUE NÃO MELHORA
A sensação de barriga estufada pode ocorrer após refeições volumosas, durante o período menstrual ou em situações relacionadas à digestão. O sinal de alerta aparece quando o inchaço se torna frequente, persiste por semanas ou não melhora como de costume.
2. DOR NA BARRIGA OU NA REGIÃO PÉLVICA
Desconfortos na parte inferior do abdômen ou na região da pelve podem ser confundidos com cólicas menstruais, problemas intestinais e outras condições. Quando a dor é recorrente ou permanece sem causa conhecida, é importante procurar avaliação médica.
3. SENSAÇÃO DE SACIEDADE APÓS COMER POUCO
Sentir-se satisfeita depois de poucas garfadas, perder o apetite ou ter dificuldade para terminar refeições pode estar entre os sinais associados ao câncer de ovário. Em alguns casos, alterações na região abdominal podem contribuir para essa sensação.
4. VONTADE FREQUENTE DE URINAR
A necessidade de ir ao banheiro mais vezes do que o habitual pode ter diversas causas, como infecção urinária e alterações na bexiga. Porém, se o sintoma persistir, principalmente sem uma explicação identificada, deve ser relatado ao profissional de saúde.
5. PERDA DE PESO INEXPLICADA E CANSAÇO PERSISTENTE
Emagrecer sem tentar, apresentar cansaço fora do habitual ou perceber mudanças constantes no apetite são sinais que merecem investigação. Embora possam estar relacionados a várias condições, não devem ser ignorados quando persistem ou aparecem associados a outros sintomas.
QUANTO TEMPO ESPERAR PARA PROCURAR UM MÉDICO?
A duração dos sintomas é um fator importante. Alterações ocasionais costumam ter explicações comuns, mas manifestações persistentes, frequentes ou progressivas precisam ser avaliadas.
Uma orientação prática é observar quando os sintomas começaram, com que frequência aparecem e se estão interferindo na rotina. Não é necessário esperar duas semanas se a dor for intensa, houver piora importante ou surgirem outros sinais preocupantes.
Durante a consulta, o médico poderá avaliar o histórico de saúde, realizar exame clínico e solicitar exames complementares, como ultrassonografia pélvica e exames de sangue, quando indicados. A investigação depende dos sintomas e das características de cada paciente.
TRÊS MITOS SOBRE O CÂNCER DE OVÁRIO
A médica Mônica Pires, presidente da seção de ginecologia oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, esclareceu ao portal Lifestyle ao Minuto algumas crenças que podem gerar dúvidas sobre a doença.
MITO 1: O CÂNCER DE OVÁRIO SÓ APARECE EM MULHERES MAIS VELHAS
A doença é mais frequente em mulheres após a menopausa, especialmente entre as mais velhas, mas também pode surgir em pessoas jovens. A idade influencia o risco, porém não elimina a possibilidade de diagnóstico em outras faixas etárias.
MITO 2: QUEM NÃO TEM CASOS NA FAMÍLIA NÃO CORRE RISCO
A ausência de histórico familiar não significa risco zero. Muitos casos de câncer de ovário ocorrem sem antecedentes familiares conhecidos. Por outro lado, determinadas alterações genéticas hereditárias podem aumentar significativamente a probabilidade de desenvolver a doença.
Quando há vários casos de câncer de mama ou de ovário na família, especialmente em idades mais jovens, é importante informar o médico. Dependendo do histórico, pode ser indicada avaliação genética.
MITO 3: A VACINA CONTRA O HPV PREVINE O CÂNCER DE OVÁRIO
A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) não previne o câncer de ovário, pois esse tumor não é considerado uma doença associada à infecção pelo vírus.
A imunização continua sendo fundamental para prevenir infecções por tipos de HPV relacionados a diversos tumores, incluindo o câncer do colo do útero. Entretanto, ela não substitui a avaliação de sintomas que possam estar relacionados aos ovários.
PAPANICOLAU NÃO DETECTA CÂNCER DE OVÁRIO
Outro equívoco é acreditar que o exame preventivo ginecológico identifica todos os tipos de câncer do aparelho reprodutor feminino.
O Papanicolau é utilizado principalmente para identificar alterações nas células do colo do útero, que podem anteceder o desenvolvimento de câncer nessa região. Ele não é um exame de rastreamento para câncer de ovário.
Por isso, mesmo mulheres que realizam o preventivo regularmente devem procurar atendimento se apresentarem sintomas persistentes. A investigação de alterações nos ovários segue critérios próprios e pode exigir outros exames.
QUEM TEM MAIOR RISCO DE DESENVOLVER A DOENÇA?
O risco de câncer de ovário pode variar conforme a idade, o histórico familiar e fatores genéticos. Algumas alterações hereditárias, como as relacionadas aos genes BRCA1 e BRCA2, estão associadas a uma probabilidade maior de desenvolver a doença.
Ter familiares com câncer de mama ou de ovário não significa que a pessoa necessariamente terá câncer, mas essa informação pode ajudar a equipe médica a avaliar a necessidade de acompanhamento específico.
Não existe um método de rastreamento comprovadamente eficaz para todas as mulheres assintomáticas com risco habitual. Por isso, conhecer o histórico familiar e procurar avaliação diante de sintomas persistentes são medidas importantes.
QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO MÉDICO?
É recomendável marcar uma consulta com ginecologista ou clínico geral quando houver:
Inchaço abdominal frequente ou persistente.
Dor recorrente na barriga ou na região pélvica.
Sensação de estômago cheio após pequenas refeições.
Vontade frequente de urinar sem causa aparente.
Perda de peso inexplicada, cansaço persistente ou alterações no apetite.
Histórico familiar relevante de câncer de ovário ou de mama.
Pessoas que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS) podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para a avaliação inicial e, quando necessário, encaminhamento para exames e atendimento especializado.
INFORMAÇÃO E DIAGNÓSTICO OPORTUNO FAZEM A DIFERENÇA
O câncer de ovário pode apresentar sintomas semelhantes aos de problemas comuns, mas isso não significa que toda alteração abdominal seja motivo para alarme. A principal recomendação é observar mudanças persistentes e procurar orientação profissional quando algo foge do habitual.
A avaliação médica não confirma apenas a possibilidade de câncer: ela também ajuda a identificar outras condições que podem exigir tratamento. Reconhecer os sinais, conhecer o histórico familiar e não adiar a investigação de sintomas recorrentes são atitudes importantes para cuidar da saúde.
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Atenção: este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Somente um profissional de saúde pode avaliar os sintomas e indicar os exames necessários.