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Candidata a deputada é dona de clínica investigada após mortes e denúncias de pacientes no Rio
Foto: Divulgação

Celita Toledo administra grupo de saúde investigado pela Polícia Civil; 24 mulheres relataram complicações após cirurgias e três mortes são apuradas

A candidata a deputada federal pelo Republicanos Celita Toledo é proprietária de unidades do grupo de saúde que leva seu nome e que está no centro de uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A rede é investigada após mortes de pacientes e relatos de mulheres que afirmam ter sofrido complicações, mutilações e deformações depois de cirurgias plásticas.

 

Entre os episódios investigados está a morte de Jéssica Conceição da Cruz, de 34 anos. Ela passou por procedimentos de remodelamento costal, lipoaspiração e abdominoplastia, com custo informado de R$ 12,8 mil. Após receber alta, apresentou dores intensas e febre, precisou ser internada novamente e passou por novas intervenções médicas.

 

Jéssica permaneceu cerca de dois meses internada e morreu no dia 19 de setembro. Segundo o depoimento do companheiro dela à polícia, o documento de óbito aponta peritonite fecal provocada por complicação cirúrgica decorrente de uma perfuração intestinal.

 

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O cirurgião José Adrian Bermudez Bohorquez, que atua na Clínica Ênio Serra Ltda., pertencente ao grupo, aparece na investigação. Segundo documentos obtidos pelo GLOBO, ele foi afastado cautelarmente das atividades no dia 21 de setembro, após o procedimento realizado em Jéssica.

 

O documento interno afirma que a paciente apresentou perfurações de alças intestinais após uma lipoaspiração. Também foram determinadas sindicâncias para apurar as circunstâncias do caso. O afastamento foi classificado como administrativo, cautelar e preventivo, e o médico assinou o documento.

 

Outro caso investigado envolve Isabely Viana, de 42 anos. Ela realizou uma abdominoplastia em 12 de junho, apresentou queda brusca dos sinais vitais e sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento. Após permanecer cinco dias no CTI, morreu em 17 de junho.

 

A polícia também apura um terceiro óbito relacionado à rede. As circunstâncias desse caso ainda deverão ser detalhadas pelas autoridades e pelos familiares da vítima.

 

Além das mortes, pelo menos 24 mulheres procuraram a Delegacia do Consumidor (Decon) para relatar problemas após procedimentos realizados na rede. Os depoimentos mencionam casos de necrose, ferimentos que permaneceram abertos durante meses, deformações, mutilações e necessidade de novas cirurgias.

 

Uma das pacientes é Daiana Maurina Dias, que afirma ter economizado durante 17 anos para realizar uma cirurgia no abdômen. Ela pagou R$ 16 mil por procedimentos que incluíram cirurgia abdominal, lipoescultura e intervenção nos glúteos.

 

Segundo Daiana, após a operação, ela apresentou sangramento, fraqueza intensa e complicações que evoluíram para necrose. A paciente afirma que precisou passar por novos procedimentos e ainda convive com dores, alterações no abdômen e uma hérnia umbilical diagnosticada posteriormente.

 

A rede investigada possui unidades na Rua Soares Cabral com funções distintas. A Clínica Celita Toledo realiza consultas e atendimentos ambulatoriais, enquanto o Laranjeiras Plastic Day Hospital é destinado às cirurgias e o Hospital Ênio Serra recebe pacientes para internações e atendimento em CTI.

 

Em uma operação realizada em 4 de agosto, agentes encontraram medicamentos vencidos nas unidades. Quatro pessoas foram levadas para prestar esclarecimentos. Adriano da Silva Nascimento, proprietário do Plastic Day Hospital, foi preso e posteriormente liberado após pagar fiança de R$ 10 mil. Segundo a polícia, ele permaneceu em silêncio.

 

A investigação também verifica a possível atuação irregular de médicos estrangeiros que não teriam especialização em cirurgia plástica. Conforme a Decon, existe a suspeita de que profissionais de outros países tenham vindo ao Brasil para cursos de pós-graduação e posteriormente participado de cirurgias de maneira irregular. A hipótese ainda está sendo apurada.

 

Segundo informações do próprio grupo, mais de 8,3 mil procedimentos já foram realizados pela rede. Entre os serviços oferecidos estão cirurgias com valores anunciados abaixo dos praticados em parte do mercado, como próteses de silicone por aproximadamente R$ 6 mil.

 

A polícia também investiga se existem outras possíveis vítimas. O delegado Wellington Vieira, titular da Decon, afirmou que algumas mulheres estariam sendo pressionadas a não prestar depoimento.

 

Os inquéritos estão em fase de conclusão e, até o momento, ninguém foi indiciado. As autoridades buscam esclarecer se as mortes possuem relação com os procedimentos realizados nas unidades e identificar eventuais responsabilidades.

 

Em nota, a defesa de Celita Toledo afirmou que não é possível antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes do encerramento das investigações.

 

“Nosso posicionamento é de respeito às autoridades, às pessoas envolvidas e ao devido processo legal, permanecendo o compromisso com a verdade e com o completo esclarecimento dos fatos”, declarou a defesa.

 

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Além de ser proprietária da rede investigada, Celita declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 21,2 milhões. A maior parte dos bens informados está concentrada em participações societárias, incluindo R$ 15,4 milhões em quotas da Clínica Ênio Serra Ltda., R$ 2 milhões na Celita Toledo Estética Personalizada Ltda., R$ 1 milhão na CT Comércio de Cintas e Produtos de Estética Ltda. e R$ 2,79 milhões na Diacom Diagnóstico Radiológico Computadorizado. 

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