Ex-funcionário relata à Polícia Federal que lobista mencionava suposta proximidade com o filho do presidente ao negociar com parceiros
Um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, afirmou que o empresário costumava citar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao tratar com fornecedores e parceiros comerciais. Segundo o relato, Antunes insinuava uma relação próxima com o filho do presidente da República como forma de reforçar sua influência em negociações empresariais.
De acordo com a testemunha considerada peça-chave nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura o esquema conhecido como Farra do INSS o lobista mencionava repetidamente o nome de Lulinha em reuniões internas e encontros com terceiros. Em um dos episódios, ele teria se referido ao “filho do rapaz”, fazendo gestos com a mão para indicar o sobrenome Lula. O ex-funcionário concedeu sua primeira entrevista à imprensa na última semana, com identidade preservada por relatar supostas ameaças feitas pelo lobista em 2025. As respostas também foram encaminhadas por escrito às autoridades.
No depoimento prestado à Polícia Federal, a testemunha confirmou ter ouvido do próprio Antunes que ele pagaria uma suposta mesada de R$ 300 mil a Lulinha e que teria antecipado R$ 25 milhões relacionados a projetos nas áreas da Amazônia e de testes de dengue, sem especificação da moeda. O ex-funcionário afirmou ainda que o lobista relatava encontros com Lulinha em São Paulo e no Distrito Federal. Investigadores apuram a suspeita de que o filho do presidente figuraria como sócio oculto em negócios do Careca do INSS, especialmente no setor da saúde, incluindo um projeto de fornecimento de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde.
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Mensagens obtidas pela Polícia Federal também indicam que Antunes transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo da fase mais recente da operação. Em uma das comunicações, o lobista teria afirmado que o valor era destinado ao “filho do rapaz”. Segundo a PF, Roberta é apontada como parte do núcleo político do esquema e manteve contato com o empresário mesmo após a deflagração da operação, em abril de 2025. Em mensagens, ela demonstrou preocupação com a apreensão de um envelope que mencionaria “o nome do nosso amigo”.
As investigações também identificaram que, em dezembro de 2024, o Careca do INSS enviou um suposto “medicamento” para o endereço onde Lulinha residia em São Paulo, com entrega registrada em nome de Renata Moreira, esposa dele. Procurado anteriormente, Fábio Luís afirmou desconhecer o envio e negou qualquer proximidade com o lobista. Reportagens também revelaram que ambos viajaram juntos de primeira classe de Guarulhos para Lisboa, em novembro de 2024.
A Polícia Federal aponta ainda que Roberta Luchsinger atuou em ações de lobby no Ministério da Saúde ao lado do Careca do INSS. Registros oficiais mostram que os dois estiveram juntos na pasta representando a mesma empresa. Em 2024, Antunes se apresentou como diretor de uma empresa de telemedicina; já em 2025, entrou no ministério como presidente da World Cannabis, empresa de sua propriedade.
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Em nota anterior, a defesa de Luchsinger afirmou que sua atuação no mercado de canabidiol se limitou a tratativas iniciais, que não avançaram, e negou qualquer envolvimento nas fraudes investigadas no âmbito do INSS.