Documento divulgado nesta quinta-feira defende voto em favor dos valores humanitários, dos mais pobres e da soberania nacional, além de apontar divergências entre propostas eleitorais e a doutrina social da Igreja Católica.
Uma carta assinada por 35 bispos católicos de diferentes dioceses brasileiras fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e alertou para possíveis riscos à democracia, à soberania nacional e ao bem comum. Divulgado nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, o documento incentiva os católicos a votarem em defesa dos valores humanitários e dos direitos dos mais pobres.
No texto, os religiosos classificam o cenário eleitoral como “muito grave” e afirmam que a disputa vai além de uma escolha política, podendo representar uma mudança profunda nos rumos do país. Para sustentar a avaliação, a carta menciona experiências históricas do século 20 que, segundo os bispos, deixaram consequências dolorosas.
Os signatários afirmam que pretendem destacar pontos de conflito entre os ensinamentos sociais da Igreja Católica e as propostas de uma das candidaturas em disputa.
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Embora não cite Flávio Bolsonaro nominalmente em todos os trechos, o documento faz referências a posicionamentos associados à candidatura. Entre as críticas está a oposição ao fim da escala de trabalho 6x1, que os bispos relacionam à falta de reconhecimento da dignidade dos trabalhadores.
A carta também questiona a defesa da ampliação do acesso às armas e aponta divergências em relação às orientações da Igreja sobre a preservação ambiental e o combate à pobreza.
Outro ponto mencionado é a relação com os Estados Unidos. Os religiosos criticam o que descrevem como uma promessa de submissão ao governo norte-americano e fazem referência à atuação política relacionada à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump.
O documento ainda menciona declarações que, na avaliação dos bispos, representariam ameaças à ordem constitucional. A carta também faz referência ao pai de Flávio Bolsonaro, sem citar diretamente seu nome nesse trecho, ao mencionar um ex-presidente condenado e preso por atentar contra a democracia.
COMPARAÇÃO COM OUTRA CANDIDATURA
Os bispos também abordam, sem mencionar expressamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma candidatura que, segundo o texto, demonstrou responsabilidade com a população mais pobre e com a preservação ambiental, além de atuar dentro dos limites da ordem democrática e respeitar a Constituição.
Os religiosos reconhecem que essa alternativa também está sujeita a críticas, mas argumentam que a insatisfação com o governo atual não deveria ser motivo para apoiar um projeto que consideram contrário aos ensinamentos da Igreja.
A carta conclui sua argumentação defendendo que a escolha eleitoral considere princípios como a democracia, a dignidade humana, a justiça social e a proteção dos mais vulneráveis.
Entre os signatários estão dom Evaristo Pascoal Spengler, da Diocese de Roraima; dom Adolfo Pereira, da Diocese do Alto Solimões; e dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, de Manaus.
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O documento reúne religiosos de diferentes regiões do país em uma manifestação pública sobre a conjuntura política e os critérios que, na avaliação dos signatários, devem orientar o voto dos católicos.