A ideia de que os casais estão fazendo menos sexo ganhou força nos últimos anos, impulsionada por levantamentos internacionais que apontam redução na frequência das relações sexuais. No entanto, segundo o sexólogo José Antonio Barbosa, da Clínica de Saúde Masculina do Boston Medical Center, é precipitado falar em uma crise sexual generalizada.
O especialista destaca que os dados não podem ser interpretados de forma universal, já que a sexualidade varia conforme fatores culturais, sociais e comportamentais de cada país. Para ele, mais do que uma queda na atividade sexual, o que ocorre atualmente é uma transformação na forma como as pessoas vivem o desejo e a intimidade.
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MUDANÇAS VÃO ALÉM DA FREQUÊNCIA SEXUAL
Barbosa explica que a sexualidade moderna não pode ser medida apenas pela quantidade de relações sexuais, mas também pela qualidade da conexão emocional entre os parceiros. Elementos como estresse, rotina intensa, uso excessivo de celulares, redes sociais e hiperconectividade estariam influenciando diretamente a vida íntima dos casais.
O especialista também chama atenção para o impacto da pornografia e das expectativas irreais sobre desempenho sexual, que podem afetar a satisfação e a percepção da vida a dois.

ESTRESSE E ROTINA COMO PRINCIPAIS VILÕES
Segundo o sexólogo, o estresse e a fadiga estão entre os principais fatores que reduzem o desejo sexual atualmente. Ele afirma que o estado constante de pressão pode afetar tanto a energia emocional quanto a resposta biológica do corpo.
“Quando os níveis de cortisol permanecem elevados por muito tempo, isso pode interferir na produção hormonal, na resposta sexual e até na libido”, explica.
Entre os efeitos apontados estão dificuldades de ereção, problemas de ejaculação em homens e alterações na excitação e lubrificação em mulheres.

REDES SOCIAIS E PORNOGRAFIA INFLUENCIAM EXPECTATIVAS
Barbosa também ressalta que o uso intenso de redes sociais e o acesso facilitado à pornografia contribuem para a construção de expectativas irreais sobre o sexo.
Segundo ele, a comparação entre a realidade e o conteúdo consumido pode gerar frustração e afetar a intimidade dos casais. Além disso, a busca constante por estímulos rápidos estaria reduzindo a capacidade de conexão emocional mais profunda.
AUSÊNCIA DE SEXO NEM SEMPRE INDICA CRISE
O especialista afirma ainda que períodos longos sem relações sexuais não significam, necessariamente, problemas no relacionamento. Para ele, a situação só se torna preocupante quando há sofrimento, distanciamento ou incompatibilidade entre os desejos do casal.
“Não existe uma fórmula única para medir a saúde de um relacionamento”, destaca.
Fotos: Reprodução
NOVAS GERAÇÕES E MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO
Sobre os jovens, Barbosa avalia que não há necessariamente menor interesse por sexo, mas sim uma nova forma de lidar com a sexualidade, influenciada por múltiplos estímulos digitais e diferentes padrões de relacionamento.
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Ele conclui que a sexualidade contemporânea está em transformação e que compreender esse processo exige olhar para além da frequência das relações, considerando aspectos emocionais, sociais e psicológicos.