Perícia aponta queda no número de trabalhadores e redução das mercadorias armazenadas; vendas digitais também recuaram 35% em agosto
A Casas Bahia reduziu estoques e registrou uma queda de aproximadamente 4,6 mil funcionários em agosto, segundo documentos produzidos durante uma perícia realizada na companhia. O período coincide com o agravamento da crise financeira enfrentada pela varejista e com o pedido de recuperação judicial apresentado pela empresa.
Além da redução no quadro de trabalhadores, a perícia identificou queda nas vendas realizadas pelos canais digitais. Entre julho e agosto, o volume de vendas pela internet recuou 35%.
O levantamento foi realizado pela ACFB Administração Judicial, que vistoriou 744 lojas e 29 centros logísticos da Casas Bahia. Em parte das unidades visitadas, os peritos encontraram estoques reduzidos e áreas sem utilização.
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Segundo o documento, algumas operações continuavam funcionando normalmente nos centros de distribuição, mas conviviam com uma redução significativa no volume de mercadorias armazenadas.
A análise relaciona a diminuição dos estoques às dificuldades econômico-financeiras enfrentadas pelo grupo.
RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial em agosto, declarando um passivo de R$ 17,32 bilhões. A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador da companhia.
O plano apresentado pela empresa prevê uma ampla reestruturação da operação, incluindo o fechamento de 298 lojas, o equivalente a cerca de 28,7% da rede.
A companhia também prevê cortes entre 1,9 mil e 3 mil funcionários como parte das medidas para reduzir custos e reorganizar as operações.
HISTÓRICO DE CORTES
A redução registrada em agosto ocorre após anos de diminuição do quadro de trabalhadores. Um levantamento apontou que o grupo já eliminou aproximadamente 43 mil postos de trabalho desde 2010.
De acordo com informações do relatório financeiro do quarto trimestre, a companhia chegou a contabilizar 63.320 funcionários.
Já os dados apresentados no pedido de recuperação judicial indicam que o grupo atualmente possui cerca de 20 mil trabalhadores, evidenciando a dimensão da redução do quadro ao longo dos últimos anos.
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A empresa tenta reorganizar as operações e reduzir despesas enquanto busca superar a crise financeira e avançar com o processo de recuperação judicial.