Neurologistas alertam que bebidas associadas ao foco mental podem ajudar temporariamente na atenção, mas não substituem sono adequado, alimentação equilibrada e cuidados com a saúde.
O consumo de chás associados à melhora da memória, concentração e disposição mental tem se tornado cada vez mais comum. Bebidas como chá verde, chá preto e outras versões consideradas “funcionais” ganharam espaço na rotina de pessoas que buscam mais produtividade no dia a dia. Apesar disso, especialistas alertam que os efeitos dessas substâncias sobre o cérebro costumam ser limitados e variam conforme o organismo e os hábitos de vida de cada pessoa.
Segundo o neurologista Dr. Ronaldo Rabelo, alguns estudos apontam que determinados compostos presentes nos chás podem contribuir de forma moderada para o aumento da atenção e do estado de alerta.
Entre as substâncias mais conhecidas estão a cafeína e a L-teanina, que atuam diretamente no sistema nervoso central. A cafeína ajuda a reduzir a sensação de cansaço e aumenta o estado de vigilância, enquanto a L-teanina possui ação complementar relacionada ao relaxamento e à concentração.
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“As pesquisas sugerem que essas substâncias podem auxiliar no foco e na disposição mental, mas os efeitos costumam ser leves e temporários”, explicou o médico.
Além da cafeína, compostos antioxidantes como polifenóis e catequinas também são estudados por possíveis benefícios relacionados à circulação sanguínea e à proteção cerebral.
No entanto, especialistas destacam que nem todos os chamados “chás do foco” possuem comprovação científica robusta. O neurologista Dr. Denis Birman afirma que a cafeína continua sendo a substância com efeito cognitivo mais consistente, principalmente por melhorar temporariamente o estado de alerta.
Já outras substâncias populares, como L-teanina, bacopa monnieri e ginkgo biloba, apresentam resultados mais discretos ou dependentes de uso prolongado. Segundo ele, não existem evidências de que essas bebidas provoquem mudanças rápidas ou permanentes na estrutura cerebral.
“Muitas vezes, o mercado do bem-estar cria expectativas maiores do que aquilo que a ciência realmente consegue comprovar”, afirmou o especialista.
Os médicos também alertam que o consumo exagerado dessas substâncias pode provocar efeitos indesejados. Doses elevadas de cafeína, por exemplo, podem aumentar ansiedade, irritabilidade, insônia e até agravar quadros neurológicos em pessoas predispostas.
Além disso, algumas plantas podem interagir com medicamentos. O ginkgo biloba, por exemplo, pode interferir em anticoagulantes e aumentar o risco de sangramentos, enquanto outros compostos podem potencializar efeitos de remédios psiquiátricos.
Durante a gestação, a ingestão de cafeína também deve ocorrer com cautela, já que a substância atravessa a placenta e pode afetar o bebê. Outro ponto destacado pelos especialistas é o chamado “efeito rebote”, quando o consumo excessivo de estimulantes prejudica o sono e aumenta a sensação de fadiga ao longo do tempo.
Na avaliação dos neurologistas, os chás podem funcionar como apoio pontual, mas não substituem hábitos fundamentais para a saúde cerebral, como sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física e organização da rotina.
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Os especialistas ressaltam ainda que a necessidade frequente de estimulantes para manter a concentração pode indicar problemas mais profundos, como estresse excessivo, burnout, TDAH ou alterações emocionais, situações que exigem avaliação médica adequada.