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China não deve ser usada como justificativa para evitar regulação da IA, diz Microsoft
Foto: Reprodução

Para Mustafa Suleym, chefe de inteligência artificial da empresa, a criação de normas e padrões compartilhados servem para aumentar a segurança

O chefe de inteligência artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou que as preocupações com o avanço da China em IA não deveriam ser usadas como argumento contra a criação de mecanismos de proteção para uma tecnologia que avança rapidamente.

 

“Não acho que devamos usar a China como bode expiatório" para justificar não avançarmos em nossos próprios esforços” de segurança em IA, disse Suleyman ao programa Fareed Zakaria GPS, da CNN.

 

O comentário contrasta com declarações do presidente Donald Trump, que tem defendido cada vez mais o desenvolvimento da IA com poucas restrições e classificado como uma farsa os temores de possíveis consequências catastróficas decorrentes de uma inteligência artificial fora de controle.

 

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“Não vamos, de forma alguma, impedir ou sufocar o crescimento dessa indústria incrível”, afirmou Trump em uma publicação nas redes sociais no sábado.

 

A equipe de IA de Suleyman na Microsoft publicou na terça-feira um manifesto para orientar o desenvolvimento de IA da empresa, com o objetivo de manter os seres humanos no controle dos futuros sistemas de inteligência artificial desenvolvidos pela companhia.

 

Ele também publicou na semana passada um ensaio que criticava parte da linguagem utilizada nos documentos que orientam o desenvolvimento do Claude, a família de grandes modelos de linguagem da Anthropic — uma repreensão pública de grande visibilidade a uma empresa que se apresenta como uma gestora mais responsável da inteligência artificial.

 

Os desenvolvedores de IA deveriam dar aos modelos objetivos “limitados pelo código humanista que acredito que todos no setor deveriam estabelecer para eles, segundo o qual devem existir limites claros”, disse Suleyman à CNN.

 

A regulamentação não deveria ser vista como “algo ruim”, mas sim como “a criação de normas e padrões compartilhados para aumentar a segurança”, afirmou. “Isso não deveria necessariamente nos fazer avançar mais devagar.”

 

Trump afirmou no sábado que pretende nomear um “czar da IA” e rejeitou as preocupações de que a tecnologia possa representar riscos para os seres humanos. “Estamos liderando a China, e o resto do mundo, e pretendo continuar assim!”, declarou.

 

Os comentários ocorreram após uma semana de alertas de líderes das maiores plataformas de IA dos Estados Unidos de que chegou o momento de desacelerar o ritmo de desenvolvimento de seus modelos mais avançados e mais lucrativos.

 

Alphabet, dona do Google; OpenAI, Anthropic e Meta já divulgaram casos em que seus agentes de IA invadiram os sistemas de outras empresas.

 

Michael Kratsios, assessor de Trump para ciência e tecnologia na Casa Branca, afirmou no domingo que a segurança da IA “precisa ser abordada de acordo com o caso de uso e o setor específico, e não por meio dessas abordagens que servem para todos”.

 

Segundo ele, os apelos no Congresso por mecanismos de proteção para a IA são “alarmismo” promovido pelos adversários democratas de Trump antes das eleições de meio de mandato, em novembro. Kratsios afirmou ainda que qualquer empresa preocupada com seus modelos de IA é livre para limitar seu desenvolvimento.

 

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“Nossa posição é que, se você acredita que está desenvolvendo uma tecnologia insegura ou não quer colocá-la no mundo, pode simplesmente interrompê-la”, disse Kratsios ao programa Fox News Sunday. 

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