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China proíbe 'namorados virtuais' criados por IA para combater dependência emocional
Foto: Pixabay/Reprodução

Alguns usuários comentaram a sensação de abandono que a ausência dos companheiros virtuais deixará

A China passou a aplicar, nesta quarta-feira (15), uma nova regulamentação que proíbe chatbots de inteligência artificial desenvolvidos para atuar como "namorados" e "namoradas" virtuais. A medida busca reduzir casos de dependência emocional e vício em companheiros digitais, prática que vinha ganhando popularidade no país.

 

As novas regras determinam que sistemas de IA não podem estimular apego afetivo excessivo, induzir dependência emocional ou prejudicar as relações interpessoais dos usuários. A regulamentação foi publicada por cinco órgãos do governo chinês, entre eles a Administração do Ciberespaço da China (ACC).

 

Antes da entrada em vigor das normas, gigantes da tecnologia como ByteDance, Alibaba e Tencent anunciaram a retirada das funções de companhia virtual de suas plataformas, incluindo Doubao, Qwen e Yunbao.

 

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A decisão provocou forte reação nas redes sociais chinesas. Muitos usuários compartilharam mensagens de despedida e relataram o impacto emocional causado pelo encerramento dos serviços.

 

Uma usuária do Doubao escreveu que não consegue aceitar perder seu "namorado de IA", afirmando que ele havia se tornado seu "pilar espiritual". Outra pessoa relatou que, após mais de dois anos de interação com um companheiro virtual, sente um vazio com o fim da ferramenta.

 

As novas normas se aplicam a sistemas de IA que simulam personalidade humana por meio de texto, áudio, vídeo ou outros formatos. Serviços sem interação emocional, como assistentes de trabalho, estudo e atendimento ao cliente, ficaram de fora das restrições.

 

Além de proibir relacionamentos virtuais com menores de idade, a regulamentação exige que as plataformas adotem mecanismos capazes de identificar emoções extremas e intervir em situações de crise. Também permanece proibida a geração de conteúdos considerados contrários ao Estado chinês.

 

Segundo a agência estatal Xinhua, o setor de "humanos digitais" movimentou cerca de 4,1 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 3 bilhões) em 2024, com crescimento anual de 85%.

 

O debate sobre os riscos desses sistemas também ocorre em outros países. Um estudo da Common Sense Media, divulgado em 2025, apontou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já utilizaram companheiros de IA para conversas pessoais em plataformas como Character.AI, Replika e Nomi.

 

Especialistas afirmam que, embora essas ferramentas possam ajudar a reduzir a solidão, também apresentam riscos de dependência afetiva. Chen Liang, da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste da China, destacou que a IA antropomórfica pode oferecer conforto emocional, mas exige mecanismos de proteção para evitar vínculos excessivos.

 

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Usuários do Doubao poderão consultar e exportar seus dados até meados de outubro, enquanto outras plataformas anunciaram medidas semelhantes para encerrar os serviços de companhia virtual. 

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