Sistema atinge 21% de volume útil após precipitações recentes, porém cenário ainda inspira cautela para os próximos meses.
As chuvas registradas nos últimos dias na região do Sistema Cantareira trouxeram um leve alívio aos níveis dos reservatórios, que apresentaram recuperação de aproximadamente dois pontos percentuais no volume útil. Na última quarta-feira (21), o sistema chegou a 21%, o maior índice desde o fim de novembro do ano passado.
De acordo com dados atualizados pela Sabesp na manhã desta quinta-feira (22), o Cantareira acumulou até agora 120,1 milímetros de chuva em janeiro, o que corresponde a 45,8% do volume esperado para o mês. A média histórica para o período é de 262 milímetros, o que indica que as precipitações ainda estão abaixo do ideal.
O atual patamar coloca o sistema no limite entre a faixa de restrição, que varia de 20% a 30%, e a faixa especial, considerada a mais crítica no regime de retirada de água. Caso o nível fique abaixo de 20% até o fim do mês, a captação será reduzida dos atuais 23 mil litros por segundo para 15,5 mil litros por segundo.
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Enquanto aguarda um aumento mais consistente das chuvas até março, o governo de São Paulo acelera obras estruturais para reforçar o abastecimento. Uma das principais intervenções é a captação no rio Itapanhaú, que já começou a operar com o auxílio de geradores para integrar o volume ao Sistema Integrado Metropolitano.
A gestão estadual também monitora com otimismo a situação de outros mananciais, como o sistema Alto Tietê, que abastece a região metropolitana. A expectativa é de que o conjunto dos reservatórios chegue a cerca de 40% da capacidade total ao fim do período chuvoso, caso as chuvas fiquem dentro da média histórica, conforme projeções do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Cenários alternativos, no entanto, indicam risco. Se as chuvas ficarem 25% abaixo da média, o Cantareira pode encerrar março com cerca de 28% de volume útil. Caso o déficit chegue a 50%, o nível pode cair para 20%, limite considerado crítico. O dia 31 de março é adotado como marco do encerramento do período chuvoso no Sudeste.
Mesmo no cenário mais otimista, iniciar a estiagem com 40% de volume faria o Cantareira registrar o menor nível para esse período desde 2016, quando o sistema ainda se recuperava da crise hídrica de 2014 e 2015. Naquele ano, o reservatório tinha 36,1% no fim de março. Em 2022, após a seca de 2021, o índice era de 45,3%.
Especialistas alertam que temporais intensos, embora chamem atenção, nem sempre contribuem para a recarga dos mananciais. Segundo Luiz Pladevall, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), as chuvas mais eficazes são aquelas prolongadas e moderadas, que permitem a infiltração gradual da água no solo.
“Nos temporais, a água escorre rapidamente para córregos e rios, principalmente em áreas urbanizadas, sem infiltrar no solo. Além disso, é fundamental que a chuva ocorra nas bacias que alimentam os reservatórios”, explica.
Pladevall ressalta que captar e direcionar a água das chuvas até os mananciais exige planejamento e obras de longo prazo, como bacias de infiltração, recuperação de várzeas, pavimentos permeáveis e proteção ambiental. “Não é uma solução imediata”, afirma.
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Na quarta-feira (21), a Sabesp anunciou o início das obras de interligação entre a represa Billings e o sistema Alto Tietê. O projeto, estimado em R$ 1,4 bilhão, prevê o aumento da oferta de água em até 4 mil litros por segundo. A iniciativa integra um pacote de medidas que inclui reaproveitamento de água de esgoto tratado e a ampliação da Estação de Tratamento de Água Rio Grande.