Método inovador modifica genes sem cortes no DNA e abre novas perspectivas para a medicina genética.
Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, alcançaram um importante avanço na área da engenharia genética ao realizar a edição de genes em embriões humanos com um nível de precisão considerado inédito. Os resultados foram divulgados em uma pré-publicação científica na última semana, embora ainda aguardem revisão por pares.
O estudo utilizou a chamada "edição de base", uma tecnologia mais sofisticada derivada do sistema CRISPR. Diferentemente das técnicas tradicionais, que promovem cortes no DNA, o novo método atua diretamente na alteração de letras específicas do código genético, reduzindo significativamente o risco de danos indesejados ao material genético.
Durante os experimentos, os cientistas modificaram dois genes presentes em embriões humanos doados para pesquisa. Um deles, o PCSK9, está relacionado aos níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. O segundo, o HBG, desempenha papel importante na produção da hemoglobina fetal.
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Segundo os pesquisadores, as alterações ocorreram sem provocar grandes danos cromossômicos, um dos principais desafios enfrentados em estudos anteriores que utilizaram versões convencionais da tecnologia CRISPR.
Apesar dos resultados animadores, a equipe ressalta que a técnica ainda enfrenta obstáculos importantes antes de qualquer aplicação clínica. O principal deles é o chamado mosaicismo, fenômeno em que apenas parte das células do embrião recebe a modificação genética, enquanto outras permanecem inalteradas.
Essa diferença genética dentro do mesmo embrião é considerada uma barreira para o uso seguro da tecnologia em tratamentos futuros. Por isso, os cientistas defendem a realização de novas pesquisas para aperfeiçoar o método, reduzir o mosaicismo e avaliar os efeitos da edição genética em estágios mais avançados do desenvolvimento embrionário.
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Embora ainda esteja distante da prática médica, o estudo representa um passo significativo na busca por terapias genéticas mais seguras e precisas, capazes de corrigir mutações associadas a doenças hereditárias antes mesmo do nascimento.