Experimento inédito mostrou que o diamante resiste a pressões gigantescas antes de derreter, desafiando previsões da ciência.
Um experimento realizado por cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL), nos Estados Unidos, revelou um comportamento surpreendente do diamante quando submetido a condições extremas de pressão e temperatura. Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram acompanhar o material durante o processo de fusão e descobriram que sua estrutura cristalina permanece praticamente intacta até o momento em que começa a derreter.
O estudo, publicado na revista Nature Physics, desafia previsões teóricas que indicavam que o carbono deveria se transformar em outra estrutura cristalina, conhecida como BC8, antes de atingir o ponto de fusão. A descoberta pode ajudar cientistas a compreender melhor o interior de planetas gigantes, onde materiais são submetidos a pressões semelhantes.
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COMO O EXPERIMENTO FOI REALIZADO
Para reproduzir essas condições extremas, os pesquisadores utilizaram diamantes microcristalinos submetidos a ondas de choque que duraram apenas nanossegundos. Durante o experimento, equipamentos de alta precisão acompanharam em tempo real as mudanças na estrutura do material.
Entre as técnicas utilizadas estavam:
Difração de raios X;
Pirometria para medir temperaturas extremas;
Velocimetria para acompanhar o comportamento do material sob impacto.
Os testes indicaram que o diamante começou a derreter próximo de 7.300 kelvin, o equivalente a cerca de 7.027°C, sob uma pressão próxima de 1 terapascal, valor milhões de vezes superior à pressão atmosférica da Terra.
DESCOBERTA SURPREENDEU PESQUISADORES
Os cientistas esperavam observar a formação da estrutura BC8, considerada mais estável nessas condições por modelos de física quântica. No entanto, essa transformação não aconteceu.
A principal hipótese é que as ligações entre os átomos de carbono são tão resistentes que, como a compressão ocorre em um intervalo extremamente curto, não há tempo suficiente para que os átomos reorganizem sua estrutura antes do início da fusão.
Outro resultado curioso foi a constatação de que, dentro da faixa analisada, a temperatura necessária para derreter o diamante diminui ligeiramente à medida que a pressão aumenta.
Além de ampliar o conhecimento sobre o comportamento do carbono em ambientes extremos, a pesquisa pode contribuir para a criação de modelos mais precisos sobre a composição interna de planetas gigantes e exoplanetas.
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Os resultados também podem beneficiar estudos sobre fusão nuclear por confinamento inercial, tecnologia que utiliza cápsulas de diamante comprimidas por lasers para tentar produzir energia limpa. Compreender exatamente como o material reage nessas condições pode ajudar a aperfeiçoar futuros experimentos e aumentar a eficiência desse tipo de tecnologia.