Com a popularização dos medicamentos para emagrecer, dúvidas sobre a cirurgia aumentaram; especialista explica diferenças entre as estratégias e reforça a importância do acompanhamento
O avanço dos tratamentos contra a obesidade ampliou as possibilidades para pacientes que enfrentam a doença, mas também trouxe dúvidas sobre qual estratégia deve ser utilizada em cada situação. Enquanto medicamentos como os agonistas de GLP-1 ganharam popularidade, a cirurgia bariátrica e metabólica continua sendo uma alternativa terapêutica para determinados pacientes.
Mesmo com a evolução dos tratamentos, o procedimento ainda é cercado por preconceitos. Um dos principais mitos é a ideia de que quem recorre à bariátrica estaria buscando uma maneira fácil de perder peso.
Para o cirurgião bariátrico Carlos Schiavon, cofundador do Instituto Obesidade Brasil, essa visão ignora a complexidade da obesidade, que é considerada uma doença crônica.
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“A obesidade é uma doença crônica e não pode ser resumida à falta de força de vontade. Assim como temos os novos medicamentos para obesidade, a cirurgia bariátrica e metabólica é uma das opções de tratamento. A escolha entre as diferentes estratégias depende das características, das necessidades e da resposta de cada paciente”, afirma.
BARIÁTRICA OU MEDICAMENTOS?
A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” também levantou a percepção de que os medicamentos teriam substituído a cirurgia. Segundo Schiavon, entretanto, as duas estratégias não precisam ser vistas como alternativas excludentes.
“Os medicamentos trouxeram um avanço muito importante para o tratamento da obesidade e ampliaram as possibilidades terapêuticas. Mas isso não significa que a cirurgia deixou de ter indicação. São estratégias diferentes, que podem inclusive fazer parte do tratamento do mesmo paciente em momentos distintos”, explica.
Além da perda de peso, a cirurgia pode contribuir para o controle de doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, com possíveis impactos na saúde e na qualidade de vida.
Outro equívoco é imaginar que o procedimento encerra os cuidados após a operação. A cirurgia faz parte de um tratamento contínuo e exige acompanhamento médico, orientação nutricional, prática de atividade física e mudanças de hábitos.
“A bariátrica não encerra o tratamento. O paciente continua precisando de acompanhamento médico, cuidados nutricionais, atividade física e mudanças de hábitos. É uma ferramenta dentro de um tratamento contínuo”, ressalta o especialista.
É POSSÍVEL RECUPERAR O PESO?
Também é comum a crença de que uma pessoa submetida à cirurgia nunca mais voltará a ganhar peso. O especialista explica que essa não é uma garantia do procedimento.
Como a obesidade é uma doença crônica, variações de peso podem ocorrer ao longo dos anos. Em determinadas situações, o tratamento pode precisar ser ajustado e incluir outras estratégias, inclusive medicamentos.
“Não existe uma solução mágica para a obesidade. Tanto a cirurgia quanto os medicamentos exigem acompanhamento e não devem ser encarados como soluções isoladas. O mais importante é tratar a doença de maneira individualizada e combater a ideia de que o paciente é culpado pelo seu peso”, afirma Schiavon.
Para o médico, o aumento das opções terapêuticas permite que o tratamento seja cada vez mais individualizado. A escolha da estratégia deve considerar as características e as necessidades de cada paciente, além da resposta obtida ao longo do acompanhamento.
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“Hoje temos mais ferramentas para tratar a obesidade do que tínhamos alguns anos atrás. O desafio é fazer com que essas ferramentas sejam utilizadas com indicação adequada e sem transformar o tratamento em uma questão de estética ou de pressão social para emagrecer”, conclui.