Embora maioria dos casos sejam benignos, sintomas como crescimento acelerado e alterações menstruais exigem atenção médica
A maioria das mulheres, em algum momento da vida reprodutiva, terá ou já teve um cisto no ovário. Na imensa maioria dos casos, essas estruturas são benignas e não exigem tratamento invasivo. No entanto, quando crescem, causam dor intensa ou persistem por muitos ciclos menstruais, os cistos podem exigir acompanhamento rigoroso e, em casos específicos, cirurgia.
Segundo o cirurgião oncológico Marcelo Vieira, especialista em técnicas minimamente invasivas, os cistos ovarianos representam um dos quadros ginecológicos mais comuns nos consultórios e prontos-socorros.
“Boa parte deles desaparece espontaneamente, mas o desafio está em identificar os casos que realmente exigem intervenção. E, quando há indicação cirúrgica, o cuidado com a preservação da fertilidade precisa estar no centro da conversa”, afirma.
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O especialista lembra que o pico de ocorrência dos cistos funcionais se dá entre os 20 e os 40 anos, período em que os ovários estão mais ativos hormonalmente. Em mulheres acima dos 45, o surgimento de cistos exige investigação mais detalhada, por conta da maior associação com alterações pré-malignas ou malignas.
Os cistos ovarianos são classificados de acordo com a sua origem e comportamento. Vieira aponta os três grupos que merecem mais atenção:
Cistos funcionais: os mais comuns, formados durante o ciclo ovulatório, costumam desaparecer sozinhos em até três meses e, geralmente, não causam sintomas relevantes.
Endometriomas: relacionados à endometriose, caracterizam-se por conteúdo espesso e escuro, e podem comprometer a fertilidade, por isso exigem acompanhamento especializado.
Tumores císticos: podem ser benignos ou malignos, mas em geral, apresentam componentes sólidos, septações espessas e crescimento contínuo; devem ser investigados com exames de imagem e, em alguns casos, marcadores tumorais.
“O ultrassom transvaginal com doppler é o exame mais indicado para a análise inicial. Já a ressonância magnética pode ser solicitada quando há dúvida diagnóstica ou planejamento cirúrgico mais complexo”, explica o médico.
A maioria dos cistos no ovário, mesmo quando volumosos, pode ser apenas observada, desde que a paciente esteja assintomática e os exames indiquem características benignas. No entanto, Vieira orienta que a cirurgia deve ser considerada nas seguintes situações:
Cistos maiores que 5 cm com persistência após três ciclos menstruais;
Presença de dor pélvica intensa ou contínua;
Alterações menstruais associadas a imagem suspeita;
Cistos com conteúdo sólido, vegetações ou septações irregulares;
Pacientes acima dos 45 anos com cistos persistentes.
“Não se trata apenas de um número fixo em centímetros. O contexto clínico, os sintomas e a história reprodutiva da paciente são fatores decisivos. O planejamento deve ser individualizado”, afirma.
Para as mulheres que recebem a indicação de cirurgia, Vieira recomenda atenção especial aos seguintes pontos durante a conversa com o médico:
A cirurgia é realmente necessária ou posso ser apenas acompanhada?
O procedimento será realizado por técnicas minimamente invasivas (laparoscópica ou robótica)?
Quais medidas serão tomadas para preservar meu ovário?
Existe risco de perda da fertilidade?
Que tipo de acompanhamento será necessário após a cirurgia?
“É essencial que a paciente participe da decisão. O procedimento deve respeitar a individualidade, o desejo reprodutivo e a segurança oncológica, quando aplicável”, diz o cirurgião. De acordo com ele, a videolaparoscopia é a técnica mais recomendada por permitir melhor visualização da pelve, menor trauma tecidual e recuperação mais rápida.
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O cirurgião reforça que a principal complicação evitável nas cirurgias para cisto no ovário é a perda de reserva ovariana. “O uso excessivo de cauterização ou a retirada do ovário sem necessidade pode comprometer a capacidade de engravidar. Por isso, o procedimento deve ser feito por equipe treinada em anatomia pélvica e técnicas conservadoras”, alerta.
Fonte: Metrópoles