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Política no Amazonas
Com olho nas eleições de 2026, Roberto Cidade transforma verba pública em palanque para o pai no município de Manicoré, interior do Amazonas
Foto: Divulgação

Reinauguração da Praça da Bandeira, em Manicoré, expõe estratégia de herança política da família Cidade e uso de emendas parlamentares como vitrine eleitoral

A obra foi viabilizada com emendas parlamentares do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), atual presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). No entanto, o que se viu no evento foi menos sobre a entrega de uma praça e mais sobre a preparação de um palanque: Robertão Cidade, pai do deputado e sem qualquer cargo público, foi tratado como uma liderança política consolidada.

 

O movimento não foi casual. Robertão já articula sua candidatura a deputado estadual para as eleições de 2026, enquanto Roberto Cidade mira uma vaga na Câmara dos Deputados. O evento, portanto, foi mais um capítulo do enredo já conhecido da política regional: obras públicas convertidas em palco para antecipar campanhas e perpetuar sobrenomes no poder.

 

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A presença destacada de Robertão na cerimônia deixa claro que a família Cidade aposta na alternância entre pai e filho para manter espaço na política estadual e federal. Essa estratégia remete a práticas de mandatos como herança — comuns no interior do Amazonas —, onde famílias inteiras se revezam em cargos eletivos com apoio logístico, financeiro e midiático garantido por emendas parlamentares.

 

A Praça da Bandeira, símbolo potencial de investimento coletivo e espaço público, foi transformada em um ato de promoção pessoal, patrocinado com recursos do contribuinte.

 

Essa não é a primeira vez que o deputado se envolve em polêmicas que questionam sua sensibilidade política e compromisso com a população. Recentemente, imagens de uma viagem à Grécia, onde Roberto aparece consumindo carne folheada a ouro, viralizaram negativamente. A ostentação de luxo contrastou com a dura realidade enfrentada por muitos amazonenses e alimentou críticas à sua conduta pública.

 

Na mesma semana da visita a Manicoré, Roberto Cidade lançou o aguardado concurso público da ALE-AM. Apesar da importância do certame — com 100 vagas imediatas e 263 para cadastro reserva —, o edital ignorou a Lei nº 15.142/2025, que determina a reserva mínima de 30% das vagas para candidatos negros. A omissão desrespeita a legislação federal e ignora a composição étnico-racial do Amazonas, que tem forte presença de comunidades indígenas, afrodescendentes e tradicionais.

 

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A atuação da família Cidade é um retrato fiel de como o poder político ainda é frequentemente usado como propriedade privada no Brasil, em especial nas regiões onde a fiscalização é escassa e o acesso à informação, limitado. Transformar obras públicas em vitrines eleitorais e excluir populações historicamente marginalizadas de políticas de inclusão não é apenas uma escolha política — é uma violação do princípio republicano de que o Estado serve ao povo, não a interesses familiares.

 

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