Produtores que adotam imunização contra dois patógenos ao mesmo tempo reduzem mortalidade em mais de 23 pontos percentuais e cortam custos com antibióticos
A criação de tilápia no Brasil enfrenta um inimigo duplo: Iridovírus e bactérias do gênero Streptococcus podem dizimar até 70% de um lote em poucas semanas. A boa notícia é que a vacinação combinada contra os dois agentes já demonstra resultados concretos. E transforma a equação econômica do produtor.
Dados apresentados pela MSD Saúde Animal revelam que lotes de tilápia (Oreochromis niloticus) imunizados simultaneamente contra Iridovírus e Estreptococose atingiram taxa de sobrevivência de 95,3%. Ante apenas 71,9% nos grupos vacinados apenas contra Streptococcus. Além disso, o uso de antibióticos caiu mais de 60%, reduzindo custos operacionais e adequando a produção às exigências dos principais mercados importadores.
“Os programas de sanidade na aquicultura evoluíram do tratamento com antimicrobianos para a prevenção abrangente, na qual a vacinação desempenha um papel essencial”, afirma Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de Aquicultura da MSD Saúde Animal.
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O PROBLEMA: DOIS PATÓGENOS QUE SE POTENCIALIZAM
A intensificação da piscicultura brasileira criou condições favoráveis à proliferação de doenças. Altas densidades de estocagem em tanques-redes, reservatórios compartilhados e variações frequentes de temperatura elevam o estresse fisiológico dos peixes. Abrindo caminho para infecções em cadeia.
O Vírus Infeccioso do Baço e da Necrose Renal (ISKNV), principal Iridovírus que afeta tilápias, pode provocar mortalidades superiores a 70% em um único surto, causando necrose de órgãos, anemia e letargia. Já a Estreptococose, provocada por Streptococcus agalactiae e Streptococcus iniae, responde por perdas que variam entre 30% e 80% em águas quentes, sendo considerada uma das doenças bacterianas mais devastadoras da espécie.
A combinação dos dois agentes é especialmente perigosa. “O vírus compromete a imunidade do peixe, favorecendo a proliferação bacteriana secundária. A infecção bacteriana, por sua vez, gera inflamação e estresse metabólico que aceleram a replicação viral”, explica Talita. O resultado são surtos mais rápidos e letais do que os causados por um único patógeno.
ALÉM DA MORTALIDADE: O CUSTO INVISÍVEL DAS DOENÇAS
As perdas não se limitam aos peixes mortos. Surtos de doença impactam a taxa de crescimento do lote, aumentam o descarte no abate e comprometem a uniformidade de peso. Portanto, fatores que corroem diretamente a margem do produtor.
“Durante surtos, também são observadas deformidades, queda na conversão alimentar e aumento do tempo de cultivo”, alerta a coordenadora técnica. Lotes vacinados com o protocolo combinado apresentaram menor variabilidade de peso e maior uniformidade no abate, segundo os dados da empresa.
VACINAÇÃO COMO INVESTIMENTO, NÃO COMO CUSTO
Do ponto de vista financeiro, a redução no uso de antibióticos tem impacto direto nos custos de produção e na viabilidade de exportação. Mercados como a União Europeia e os Estados Unidos impõem limites rígidos ao uso de antimicrobianos em produtos aquícolas> E a conformidade com essas regras é condição para acesso a compradores internacionais.
“Nos mercados externos, essas práticas fortalecem a imagem de sustentabilidade da aquicultura latino-americana”, destaca Talita, que reforça a necessidade de tratar a vacinação como parte de uma estratégia mais ampla: “Integrar o controle viral e bacteriano a um programa de biossegurança e gestão da qualidade da água é a chave para o sucesso.”
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Para o produtor, a mensagem é direta: a imunização combinada não é um gasto adicional, mas um investimento com retorno mensurável em sobrevivência, uniformidade de lote, redução de insumos e abertura de mercado.