Experiência da criança pode definir construção de relações no futuro
O processo de separação dos pais pode provocar impactos duradouros na saúde emocional de crianças e adolescentes, especialmente quando os filhos são envolvidos nos conflitos do casal. Especialistas alertam que, além da ansiedade e da insegurança, a exposição constante às disputas pode comprometer o desempenho escolar e a construção de vínculos afetivos ao longo da vida.
Segundo a psicanalista Renata Bento, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, o divórcio cotuma despertar sentimentos como medo de abandono, culpa pela separação e angústia diante das mudanças na rotina familiar.
"Esse conjunto de emoções, quando não compreendido adequadamente, pode gerar impactos significativos no desenvolvimento emocional e na forma como esses jovens constroem suas relações ao longo da vida", afirma.
Veja também

Estudo aponta que vacina contra tuberculose pode ajudar a reduzir risco de Alzheimer em idosos
Peptídeos ganham espaço na estética, mas uso irregular acende alerta da Anvisa
A especialista ressalta que o fim do casamento não deve representar o rompimento das responsabilidades parentais.
"O centro não é o conflito entre adultos, mas os filhos. Partimos da convicção de que duas casas podem existir sem infâncias fragmentadas."
FILHOS NÃO DEVEM SER ENVOLVIDOS NAS DISPUTAS
De acordo com os especialistas, um dos principais problemas ocorre quando crianças e adolescentes passam a atuar como mensageiros entre os pais, são usados como instrumento de retaliação ou acabam inseridos em disputas relacionadas à guarda.
Nesses casos, o desgaste emocional pode ser ainda maior, aumentando os riscos de sofrimento psicológico e dificuldades no desenvolvimento.
ASPECTOS JURÍDICOS EXIGEM RAPIDEZ
A advogada Ana Paula Ficheira Del-Vecchio destaca que o processo de separação deve priorizar o bem-estar dos filhos e não servir como continuação dos conflitos conjugais.
"É fundamental que as partes compreendam que o processo não pode ser conduzido como uma extensão do conflito conjugal, mas sim como uma reorganização responsável da parentalidade, com foco na proteção dos direitos e do melhor interesse dos filhos."
Segundo a advogada, decisões envolvendo guarda, convivência, pensão alimentícia e possíveis casos de alienação parental precisam ser tomadas de forma rápida e técnica para evitar o agravamento da instabilidade familiar.
"Questões como definição de guarda, regulamentação de convivência, fixação de alimentos e eventuais alegações de alienação parental demandam decisões rápidas, técnicas e bem fundamentadas, sob pena de intensificar a instabilidade familiar e emocional."
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Os especialistas reforçam que, mesmo após o fim do relacionamento, preservar o diálogo e manter o foco no bem-estar das crianças é essencial para reduzir os impactos da separação e garantir um ambiente saudável para o desenvolvimento dos filhos.