Em live de Eduardo Bolsonaro, Daniella Marques faz acenos ao eleitorado feminino e diz que programa em estudo na pré-campanha foi mal interpretado
Uma das cotadas para o posto de vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques rebateu a visão de que mulheres de direita seriam submissas. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal participou nesta segunda-feira de uma transmissão ao vivo no canal do YouTube de Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do presidenciável que vive desde o ano passado nos Estados Unidos.
Na conversa com o ex-deputado, Daniella atribuiu a veiculação da ideia de submissão feminina na direita ao PT — de Lula, principal oponente de Flávio nas eleições de outubro — e reforçou os acenos da pré-campanha bolsonarista às eleitoras. Isso, em meio à tentativa de contornar a histórica rejeição delas a membros do clã e aos desgastes do rompimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e das declarações de Paulo Figueiredo, próximo de Eduardo, de que mulheres "votam mal".
— O PT rotula a direita como se a mulher de direita fosse submissa. Não, não é. Somos iguais. Está na Bíblia: homens e mulheres são seres iguais perante a Deus e complementares em suas vocações — afirmou Daniella.
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A ex-presidente da Caixa defendeu que as as diferenças biológicas entre homens e mulheres também devam ser consideradas. E criticou a visão, segundo ela, difundida pela esquerda, da ideia de que a "mulher forte" precisa competir com homens.
— Isso não é verdade. Eu sou mãe, sou esposa. Você conhece minha família, meu marido. Cada família tem liberdade de fazer a sua configuração. Se os dois querem trabalhar, os dois ajudam em casa. O Flávio e a Fernanda são parceiros, você e a Heloísa [Bolsonaro, mulher de Eduardo] são parceiros, e cada família tem que ter liberdade para fazer o seu arranjo. Então, eles criam essa narrativa que nos aprisiona — ressaltou.
Filiada ao Republicanos neste ano, Daniella se aproximou de Flávio ao longo da pré-campanha e passou a atuar na elaboração de propostas econômicas e de políticas voltadas ao eleitorado feminino. Na semana passada, participou ao lado do senador de uma transmissão para apresentar medidas destinadas às mulheres, como a criação de vouchers para creches e linhas de microcrédito. Sua eventual indicação, porém, está diretamente ligada ao avanço das negociações entre os dois partidos.
Também na conversa com Eduardo, Daniella disse que a ideia estudada na pré-campanha de ampliar o acesso a mulheres e idosos à internet e a celulares teve "percepção equivocada". Ela ressaltou que o plano não significa uma distribuição em massa de aparelhos.
— Ah, o Flávio vai dar celular de graça para 70 [milhões de] mulheres, não foi isso que ele falou — rebateu ela, após o senador afirmar, em transmissão ao vivo na sexta-feira, que a equipe avaliava "o fornecimento do próprio aparelho de telefone celular para as pessoas que não têm condição" e vinculou a ideia à defesa da conectividade de até 70 milhões de mulheres.
Na conversa com Eduardo, Daniella defendeu a proposta, mas afirmou que a medida depende de viabilidade financeira. Segundo ela, o que se discute é fornecer bônus de dados para o acesso a plataformas como o gov.br. O fornecimento de aparelhos ficaria restrito a casos específicos.
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— Houve um erro de percepção de achar que isso vai ser às custas dos pagadores — acrescentou.