Da frequência de lavagem aos produtos que realmente fazem sentido, Dra. Bianca Corso revela o que vale entrar, e o que pode ser dispensado na rotina capilar
Quando o assunto é cabelo, é comum pensar primeiro em hidratação, brilho e crescimento. Mas, antes de cuidar do comprimento, é importante olhar para a raiz. Afinal, é no couro cabeludo que o fio nasce, e alterações nessa região podem interferir na qualidade dos cabelos.
Segundo a dermatologista Dra. Bianca Corso, especialista em Medicina Estética, e Tricologia, a oleosidade excessiva, inflamação, dermatite e descamação podem alterar o ambiente em que o folículo funciona e, dependendo da causa, contribuir para queda, quebra ou piora da qualidade dos fios.
“O couro cabeludo não precisa estar completamente sem oleosidade. Ele precisa estar em equilíbrio. A produção de sebo, a microbiota, a barreira da pele e a inflamação precisam estar controladas para que o folículo tenha boas condições para produzir um fio saudável”, explica.
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COMO SABER SE O COURO CABELUDO PRECISA DE ATENÇÃO?
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Coceira frequente, descamação persistente, vermelhidão, ardência, sensibilidade e oleosidade excessiva são alguns sinais de alerta. A dermatologista também recomenda observar mudanças como aumento da queda, fios ficando progressivamente mais finos, dor ao prender o cabelo e pequenas lesões na região.
“Não devemos considerar toda descamação como ‘caspa’ e simplesmente trocar de shampoo. Existem diferentes causas para esses sintomas, e o tratamento muda de acordo com o diagnóstico”, alerta.
EXISTE UMA ROTINA IDEAL?

Não existe uma fórmula única. O couro cabeludo de uma adolescente com bastante oleosidade, por exemplo, terá necessidades diferentes de um couro cabeludo seco ou com dermatite.
Ainda assim, alguns cuidados são importantes para todos: manter uma higiene adequada e regular, escolher o shampoo de acordo com as necessidades do couro cabeludo e deixar condicionadores e máscaras principalmente para o comprimento e as pontas.
E uma dúvida que sempre aparece: lavar o cabelo todos os dias faz mal? Segundo Bianca, não necessariamente. “Se a pessoa produz muito sebo e precisa lavar diariamente, não há motivo para deixar o couro cabeludo oleoso por medo de ‘viciar’ o cabelo no shampoo. O que importa é usar um produto adequado e não agredir o couro cabeludo.”
Também vale evitar dormir frequentemente com os fios molhados, exagerar em produtos acumulados na raiz e usar penteados muito apertados com frequência.
SHAMPOO, TÔNICO, ESFOLIANTE… PRECISA DE TUDO ISSO?

Fotos: Reprodução
Para a especialista, não. O shampoo é o principal produto da rotina e deve ser escolhido pensando no couro cabeludo. Já condicionadores e máscaras atuam principalmente no comprimento, ajudando na hidratação e proteção da fibra.
Tônicos podem fazer sentido quando existe uma indicação específica, mas não são obrigatórios para todo mundo. Já os esfoliantes capilares também não são indispensáveis e, quando usados em excesso, podem irritar a região.
“Antes de comprar um produto, é melhor entender qual problema ele pretende resolver. Produto bom é aquele que faz sentido para aquela pele e para aquela necessidade — não necessariamente o produto mais famoso”, afirma Bianca.
PRODUTOS QUE PODEM SER ALIADOS
A dermatologista destaca algumas opções que podem fazer sentido dependendo do perfil do couro cabeludo e dos fios:
Vichy Dercos Oil Control: para couro cabeludo mais oleoso.
Ducray Kelual DS: opção para casos de descamação associados a manifestações compatíveis com dermatite seborreica.
Kérastase Genesis Bain Hydra-Fortifiant: para fios fragilizados, com foco principalmente na quebra.
La Roche-Posay Kerium DS: pode ser uma opção para quem apresenta tendência à descamação e oleosidade.
Dercos Energizante: pode complementar a rotina, mas não substitui a investigação médica quando existe queda verdadeira.
Elseve Reparação Total 5: alternativa mais acessível para cabelos fragilizados e quebradiços, especialmente quando o problema está relacionado à quebra.
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Para Bianca, o mais importante é não escolher um produto apenas pela promessa de “crescimento”. “É preciso entender se estamos falando de queda, quebra, afinamento ou apenas de um cabelo que cresce normalmente, mas não consegue manter comprimento por causa da fragilidade da fibra.”