Novo estudo mostra que mortes associadas ao calor, secas extremas e chuvas intensas aumentaram mais rapidamente desde o Acordo de Paris. Em 2023, calor esteve ligado a 710 mil mortes no mundo
Os impactos da crise climática sobre a saúde humana estão aumentando em ritmo acelerado e preocupam pesquisadores de diferentes países. Um relatório divulgado pela revista científica The Lancet alerta para o crescimento das mortes associadas ao calor, a expansão das secas extremas e o aumento dos riscos provocados por chuvas intensas. Diante desse cenário, os cientistas defendem que as mudanças climáticas sejam reconhecidas como uma emergência sanitária global.
Segundo o levantamento do projeto Lancet Countdown, aproximadamente 710 mil mortes em todo o mundo estiveram associadas ao calor em 2023. Os pesquisadores estimam que 71,5% desses óbitos tenham relação com o aquecimento provocado pelas atividades humanas. O estudo reúne 146 pesquisadores de mais de 100 instituições, em mais de 30 países, e compara os impactos climáticos registrados antes e depois do Acordo de Paris.
Os efeitos também são percebidos no Brasil, onde ondas de calor, enchentes, queimadas e secas prolongadas aumentam os riscos para a população. Na Amazônia, a falta de água durante períodos de estiagem compromete o abastecimento de alimentos e medicamentos, enquanto a fumaça dos incêndios agrava problemas respiratórios. No Rio Grande do Sul, as enchentes de 2024 foram acompanhadas por casos de leptospirose e problemas de saúde mental.
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O relatório aponta que os sistemas de saúde ainda não estão preparados para enfrentar a dimensão desses impactos. Embora 56 dos 194 países-membros da Organização Mundial da Saúde tenham planos nacionais para adaptar os serviços de saúde às mudanças climáticas, os recursos disponíveis continuam abaixo das necessidades estimadas. Especialistas defendem mais investimentos em prevenção, sistemas de alerta, vigilância epidemiológica e atendimento durante eventos extremos.
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Vista de drone mostra bancos de areia devido à pior seca da história
que afeta o rio Madeira em Humaitá (AM), em 4 de setembro
de 2024. (Foto: Bruno Kelly/Reuters)
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Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e comunidades de baixa renda estão entre os grupos mais vulneráveis. Os pesquisadores também alertam para os efeitos da poluição provocada pelos combustíveis fósseis, associada a milhões de mortes por ano. Para enfrentar a crise, o estudo recomenda reduzir as emissões de gases de efeito estufa, fortalecer os serviços públicos de saúde e integrar políticas ambientais e sanitárias, com atenção especial às populações mais expostas aos riscos climáticos.