Banco Central identificou índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido; instituição tinha cerca de 2,9 milhões de clientes e administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos.
O Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, entrou em processo de resolução após apresentar problemas graves de solvência. A decisão do Banco Central do Paraguai (BCP) foi aprovada por unanimidade em 2 de novembro e anunciada no dia seguinte, provocando a paralisação dos serviços da instituição e deixando milhões de clientes sem acesso imediato às contas.
Segundo o órgão regulador, o índice de solvência do banco caiu para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação. A situação foi identificada após ajustes nas demonstrações financeiras da instituição durante um processo de regularização. O indicador mede a capacidade de um banco de manter capital suficiente para enfrentar os riscos de suas operações.
Entre os fatores que contribuíram para a crise estão o crescimento acelerado da instituição e a concentração de empréstimos em empresas ligadas ao grupo controlador. O Banco Central já havia alertado sobre riscos relacionados à concessão de crédito a negócios associados aos proprietários do banco. As autoridades também passaram a investigar possíveis irregularidades nas operações financeiras.
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A intervenção atingiu uma instituição que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes. Com a paralisação das atividades, serviços como transferências, pagamentos e operações pelo aplicativo ficaram indisponíveis. O caso provocou preocupação entre correntistas, trabalhadores e aposentados que recebiam benefícios por meio da plataforma.
Outro ponto de preocupação envolve os recursos públicos mantidos no banco. O Instituto de Previdência Social do Paraguai (IPS) possui cerca de US$ 355 milhões em investimentos na instituição, além de utilizar seus serviços para o pagamento de aposentadorias a aproximadamente 32 mil beneficiários. O volume de recursos públicos sob administração do Ueno também inclui valores de outros órgãos estatais.
Após a intervenção, o Banco Central anunciou a utilização do Fundo de Garantia de Depósitos para iniciar a devolução de valores aos clientes. A cobertura legal alcança até 75 salários mínimos, equivalentes a aproximadamente 228,3 milhões de guaranis por pessoa e por instituição. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (5), o órgão informou que a primeira etapa de pagamentos atenderá clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com o banco e que possuam conta ativa em outra instituição financeira.
A crise também provocou consequências políticas e judiciais. Oito executivos da instituição foram detidos durante as investigações, enquanto o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, deixou o cargo. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também passou a enfrentar questionamentos sobre sua antiga ligação empresarial com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. Parlamentares da oposição apresentaram pedidos de abertura de processo de impeachment, alegando possíveis conflitos de interesse e irregularidades na gestão de recursos públicos.
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O Banco Central afirma que a medida busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro paraguaio. O órgão também ressaltou que o problema está relacionado à situação específica do Ueno Bank e não representa, necessariamente, uma crise generalizada das demais instituições do país. As investigações continuam para esclarecer as responsabilidades pela deterioração financeira do banco.