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Crise financeira interrompe viagem de cruzeiro e deixa 203 passageiros sem hospedagem no Camboja
Foto: Divulgação

Operadora norte-americana suspendeu as atividades no país após aumento dos custos com combustível; passageiros tiveram poucas horas para deixar o navio e buscar acomodação.

Mais de 200 passageiros que pagaram para viver a bordo de um cruzeiro em uma viagem permanente pelo mundo foram obrigados a desembarcar no Camboja após a operadora anunciar a suspensão de suas atividades no país. A decisão foi comunicada na terça-feira (27), em meio a dificuldades financeiras provocadas pelo aumento dos custos com combustível.

 

A empresa Villa Vie Residences, sediada nos Estados Unidos, atribuiu a crise à elevação extraordinária das despesas operacionais, relacionada ao encarecimento do combustível durante a guerra com o Irã.

 

O navio Odyssey, com cerca de 200 metros de comprimento, partiu da Irlanda do Norte em outubro de 2024. A proposta era oferecer aos passageiros a possibilidade de comprar ou alugar cabines para passar férias ou estabelecer residência durante uma viagem contínua por diferentes países.

 

 

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Alguns dos clientes chegaram a vender seus bens para financiar a experiência de morar a bordo da embarcação.

 

O desembarque ocorreu durante uma parada programada no porto de Sihanoukville, no sul do Camboja. Segundo Long Dimanche, vice-governador da província de Preah Sihanouk, os passageiros tiveram aproximadamente sete horas para organizar seus pertences e deixar o navio.

 

De acordo com a autoridade, 203 passageiros e 156 tripulantes chegaram ao país em 23 de outubro. A embarcação, que vinha da Tailândia e navega sob bandeira das Bahamas, tinha previsão de seguir viagem para o Vietnã.

 

A decisão repentina provocou dificuldades para parte dos viajantes, incluindo aposentados e profissionais que trabalham remotamente e que dependiam do navio como moradia.

 

Segundo Dimanche, alguns passageiros compraram passagens aéreas para deixar o Camboja, enquanto outros permaneceram na cidade em busca de alternativas de hospedagem. A previsão era de que o cruzeiro reabastecesse e deixasse o porto em 31 de outubro.

 

PASSAGEIRO RELATA SEQUÊNCIA DE PROBLEMAS

 

Randy Cassingham, um dos passageiros do Odyssey, que mantém um blog sobre cruzeiros, afirmou que a ordem de desembarque ocorreu após uma sequência de problemas envolvendo a operação.

 

Ele também criticou a assistência oferecida pela empresa aos viajantes que precisaram deixar a embarcação.

 

Em comunicado, a Villa Vie Residences declarou que estava trabalhando com os residentes para organizar o desembarque e encontrar opções de hospedagem temporária.

 

CUSTOS COM COMBUSTÍVEL PRESSIONARAM A OPERAÇÃO

 

A operadora informou que as despesas mensais com combustível por cabine, que anteriormente ficavam em torno de US$ 1.800, passaram a variar entre US$ 6 mil e US$ 8 mil em algumas regiões da Ásia. Os valores equivalem, aproximadamente, a R$ 9,6 mil e entre R$ 32 mil e R$ 42 mil, respectivamente, conforme as conversões apresentadas pela empresa.

 

Segundo a companhia, o aumento tornou inviável absorver os custos sem repassá-los aos clientes, mas transferir despesas dessa dimensão aos residentes também não seria uma alternativa sustentável.

 

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A empresa afirmou que o desequilíbrio financeiro colocou seu modelo operacional sob pressão e levou à suspensão das atividades no Camboja. Até o momento relatado pelas autoridades, os passageiros afetados precisavam encontrar alternativas de hospedagem enquanto aguardavam os próximos desdobramentos da viagem. 

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