Escassez de alimentos, bloqueios e suspensão de atividades acadêmicas aumentam a preocupação de pesquisadores brasileiros no país vizinho.
A crise econômica e social que atinge a Bolívia tem impactado diretamente a vida de estudantes brasileiros que realizam intercâmbio acadêmico no país. Entre eles estão pesquisadores amazonenses que relatam dificuldades para encontrar alimentos, problemas de transporte, suspensão de aulas e insegurança diante do agravamento dos protestos e bloqueios.
A mestranda da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Derlane Rocha, de 34 anos, está há três meses em La Paz desenvolvendo parte de sua pesquisa. Segundo ela, a realidade encontrada foi muito mais severa do que imaginava. A estudante afirma que os bloqueios e manifestações dificultam a circulação pela cidade e afetam diretamente o andamento das atividades acadêmicas.
Derlane relata que a escassez de alimentos tem levado muitas famílias a reduzirem o consumo diário. Filas para comprar itens básicos, como carne e frango, tornaram-se frequentes, enquanto a falta de água e medicamentos aumenta a preocupação dos moradores e estrangeiros que vivem no país.
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Em El Alto, outro centro afetado pelos protestos, o estudante da Ufam Erik Rubem, natural de Amaturá (AM), afirma que a rotina foi completamente alterada. Com universidades fechadas, comércio funcionando de forma limitada e transporte interrompido, diversas atividades de pesquisa precisaram ser suspensas.
Segundo ele, bloqueios de vias, queima de pneus e manifestações dificultam os deslocamentos. A escassez de produtos essenciais, como alimentos, gás de cozinha e água, também tem causado preocupação constante entre os moradores.
O pesquisador José Antonio Ramos, estudante da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do povo indígena Chiquitano, também acompanha os impactos da crise. Ele destaca que a instabilidade tem prejudicado não apenas o desenvolvimento das pesquisas, mas também comunidades indígenas bolivianas, que enfrentam dificuldades para acessar recursos básicos e serviços essenciais.
Diante do cenário, estudantes brasileiros têm criado redes de apoio para compartilhar informações sobre abastecimento, segurança e alternativas de deslocamento. A solidariedade entre os intercambistas tem sido fundamental para enfrentar os desafios impostos pela crise.
A instabilidade na Bolívia é resultado de uma combinação de problemas econômicos, escassez de dólares, dificuldades no abastecimento de combustíveis e tensões políticas. Desde maio, protestos e bloqueios de estradas se espalham por diversas regiões do país, afetando o funcionamento de serviços e a circulação de pessoas.
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Enquanto aguardam uma melhora da situação, os estudantes seguem divididos entre a continuidade dos projetos acadêmicos e a preocupação crescente com a própria segurança e bem-estar.