Documentos mostram que aliado de Vorcaro no Banco Central também comprou terrenos e prédio por R$ 1 milhão em dinheiro vivo e à vista
O empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, comprou uma propriedade rural avaliada em R$ 3 milhões no sul de Minas Gerais. O imóvel pertencia ao servidor do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza, considerado aliado do banqueiro, além de outros dois familiares.
A propriedade, chamada Sítio Alto do Mirante, fica na cidade de Juruaia e possui cerca de 43,56 hectares, área equivalente a aproximadamente 60 campos de futebol. O local conta com plantação de café.
Segundo a escritura de compra e venda do imóvel, Zettel pagou R$ 750 mil à vista no momento da assinatura do contrato, em 13 de janeiro de 2021. O restante foi dividido em três parcelas anuais também no valor de R$ 750 mil, com vencimentos em janeiro de 2022, 2023 e 2024.
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A negociação foi revelada inicialmente pelo jornal Valor Econômico, e o documento detalhando a transação mostra como ocorreu o pagamento do imóvel.
Paulo Sergio e o produtor rural Luis Roberto haviam comprado o sítio em agosto de 1998. A psicóloga Lavinia Vieira Costa Monteiro também aparece como vendedora porque é casada com o servidor do Banco Central em regime de comunhão parcial de bens.

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A ligação entre os envolvidos vai além dessa venda. Luis Roberto aparece na Receita Federal como administrador de uma empresa imobiliária ligada ao pastor Fabiano Zettel.
O caso ganhou ainda mais atenção após investigações que apontam a atuação de Paulo Sergio como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro dentro do Banco Central.
Segundo informações da investigação, o servidor também comprou outros dois terrenos e parte de um prédio residencial em Guaxupé, também em Minas Gerais, por cerca de R$ 915 mil. Um dos pagamentos teria sido feito em dinheiro vivo e os demais por transferência bancária, todos à vista.
Essas negociações ocorreram entre fevereiro de 2021 e setembro de 2023, período em que o servidor já estaria atuando como uma espécie de “agente duplo” em favor do banqueiro, de acordo com a Polícia Federal.
Mensagens interceptadas pelos investigadores indicam que o servidor repassava informações internas do Banco Central e oferecia orientações estratégicas ao empresário. Em troca, teria recebido vantagens indevidas, incluindo até um guia em uma viagem à Disney.

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A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel na quarta-feira por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. O banqueiro foi levado para Brasília e ficará preso em uma penitenciária federal de segurança máxima.
O ministro também determinou medidas cautelares contra o servidor do Banco Central. Ele terá de usar tornozeleira eletrônica, não pode sair do município onde mora e está proibido de manter contato com outros investigados da Operação Compliance Zero.
Além da investigação criminal no Supremo, o Banco Central abriu uma sindicância interna para analisar a evolução patrimonial de Paulo Sergio e verificar se os bens adquiridos são compatíveis com a renda dele.
A apuração administrativa começou em 8 de janeiro e levou o servidor a deixar o cargo de confiança 11 dias depois.
Segundo as regras da Controladoria-Geral da União, a sindicância patrimonial não aplica punições diretamente, mas pode indicar indícios de irregularidades.
Se forem encontrados sinais de enriquecimento ilícito, o Banco Central deverá abrir um Processo Administrativo Disciplinar e encaminhar o caso a órgãos como o Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Receita Federal, Coaf e Advocacia-Geral da União.
Caso não haja provas suficientes, o processo pode ser arquivado. O prazo inicial da investigação é de 30 dias, podendo ser prorrogado sucessivamente. Até agora, a sindicância está em sua primeira prorrogação.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, as provas reunidas indicam que o servidor prestava uma espécie de consultoria informal ao banqueiro.
Segundo a investigação, Paulo Sergio teria orientado Vorcaro sobre como agir em processos administrativos envolvendo o Banco Master dentro do próprio Banco Central.
Ele também teria revisado minutas de documentos e comunicações institucionais do banco que seriam enviadas ao órgão regulador.
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Para o relator do caso no Supremo, esse tipo de atuação é incompatível com as funções de fiscalização exercidas pelo servidor público dentro da autoridade monetária.