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Cupuaçu reinventado: RECA eleva produção do fruto amazônico com Sistemas Agroflorestais
Foto: Reprodução

Cooperativa de Nova Califórnia (RO), na Ponta do Abunã, apresenta safra recorde e fortalece a economia da floresta em pé com inovação local

O cupuaçu é um invento. Estudos científicos recentes concluíram que o fruto com polpa de sabor cítrico intenso, dulçor enigmático e textura cremosa é resultado de um cuidadoso processo de escolha humana. Foram os ancestrais amazônicos os responsáveis pela criação, obtida com base nos frutos do cacau, dos quais o cupuaçu guarda evidente semelhança – pesquisas genéticas apontam uma similaridade de até 65% entre eles.

 

De acordo com indicação de Antônio Fernandes Góes Neto, linguista, professor da Universidad Simón Bolívar (Equador) e pesquisador em educação indígena, a palavra Cupuaçu, em Tupi Antigo, pode ter como tradução “grande árvore da abelha kupy”, sendo ‘kupy’ as abelhas pretas sem ferrão (dicionário de Tupi Antigo, Eduardo Navarro). O cacaueiro não atrai esse tipo de polinizadores. A flor do cupuaçu, sim.

 

No contemporâneo, a inovação segue, mas tem resultados de outra ordem. O fruto é o carro-chefe de uma das principais e mais longevas iniciativas da sociobioeconomia amazônica, a Associação e Cooperativa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (RECA), localizada no distrito de Nova Califórnia (RO), na Ponta do Abunã, região fronteiriça com Acre, Amazonas e a Bolívia e distante 360 quilômetros da sede administrativa do município a que pertence, a capital Porto Velho.

 

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A localidade, que em 2025 completa seus 40 anos, tem no RECA, oficialmente criado em 1989, o motor de fortalecimento da comunidade, gerando uma economia atrelada à conservação da biodiversidade em uma região disputada por modos de exploração nem sempre alinhados com os princípios de manutenção de floresta em pé.

 

Das matas, os cupuaçuzeiros passaram a ser plantados nos quintais das famílias, principalmente dos extrativistas que dele se alimentavam e, posteriormente, a integrar cultivos consorciados com outras espécies nativas, já com o intuito de estabelecer produção em escala.

 

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Foi a partir dessa prática que o RECA se consolidou, convertendo-se em um dos maiores polos de produção de cupuaçu do planeta. O método, construído coletivamente, transformou-se ainda em referência internacional para produção de alimentos através de Sistemas Agroflorestais (SAFs).  

 

Fonte: O Eco

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