Os alimentos básicos, como cereais e leguminosas, representam 13% do custo de uma alimentação saudável
O custo de uma alimentação saudável aumentou 25% em cinco anos e quase uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso a ela, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Esse custo chega a 4,28 dólares por pessoa por dia (cerca de R$ 22,00 na cotação atual), conforme indica o relatório de 2026 da FAO sobre o estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo, que será apresentado na próxima terça-feira na sede da organização, em Roma.
— Como consequência, 2,69 bilhões de pessoas, ou seja, quase uma em cada três pessoas no mundo, continuam sem poder arcar com uma alimentação saudável — afirmou Máximo Torero Cullen, economista-chefe da FAO, durante uma coletiva de imprensa na sede da ONU em Nova York.
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A região onde esse custo é mais elevado é a América Latina, mais precisamente o Caribe, detalhou o especialista. Segundo ele, isso pode ser explicado pelo fato de esses países darem prioridade às exportações em vez de garantirem uma oferta suficiente e diversificada para os mercados locais.
Os alimentos básicos, como cereais e leguminosas, representam 13% do custo de uma alimentação saudável, em comparação com quase 30% dos produtos de origem animal e, sobretudo, 16% das frutas e verduras.
— O desafio não é produzir calorias suficientes, e sim tornar os alimentos ricos em nutrientes mais acessíveis — destacou Torero Cullen. Ele acrescentou que a produção local reduziria o custo de uma alimentação saudável em 34% em todo o mundo e em quase 80% na África.
O especialista da FAO também recomenda reorientar os subsídios públicos para alimentos mais ricos em nutrientes, em vez de direcioná-los aos cereais.
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Também defende investimentos em logística e infraestrutura local, como estradas e armazenamento, já que "entre 70% e 75% do custo de uma alimentação saudável é gerado depois que os alimentos saem da fazenda".