Levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades e mostra que 34% apoiam afastamento temporário do ministro, enquanto 28% defendem impeachment.
Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 62% dos brasileiros defendem algum tipo de afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O percentual reúne os entrevistados que apoiam o afastamento temporário e aqueles que são favoráveis à abertura de um processo de impeachment.
De acordo com o levantamento, 34% dos entrevistados defendem que Moraes seja afastado temporariamente do cargo, enquanto 28% apoiam a abertura de um processo de impeachment contra o ministro.
Os números, no entanto, não significam que 62% dos brasileiros defendam a saída definitiva de Moraes do Supremo. A possibilidade de retirada permanente do cargo está associada à parcela de 28% que apoia o impeachment.
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Outros 13% dos entrevistados afirmaram que o ministro deveria renunciar. Já 7% disseram não identificar irregularidades na atuação de Moraes.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01833/2026.
O Datafolha também apresentou aos entrevistados as mesmas alternativas sobre o ministro André Mendonça, que conduz processos relacionados ao caso Banco Master no STF.
Nesse caso, 37% defenderam o afastamento temporário de Mendonça, enquanto 12% apoiaram a abertura de um processo de impeachment. Somadas, as duas opções representam 49% dos entrevistados.
Outros 25% afirmaram que Mendonça não teria cometido irregularidades, enquanto 11% disseram que o ministro deveria renunciar.
A pesquisa foi realizada em meio aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que aumentaram a tensão em torno da atuação de integrantes do Supremo.
Relatórios da Polícia Federal apontaram mensagens atribuídas a Vorcaro enviadas para um número associado a Moraes. Documentos extraídos do celular do ex-banqueiro também indicaram que um perfil identificado com o nome do ministro acessou e editou uma versão de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
O contrato previa pagamentos de aproximadamente R$ 131 milhões por serviços advocatícios. O escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento, mas afirmou que isso ocorreu depois de uma solicitação do setor de conformidade para verificar possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.
A existência das mensagens e o acesso ao arquivo, isoladamente, não comprovam a prática de crime ou irregularidade. Os fatos permanecem sob análise das autoridades responsáveis pela investigação.
Diante dos questionamentos, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária para terça-feira (15), às 10h. O encontro terá como objetivo analisar o processo que reúne informações relacionadas aos contatos entre Vorcaro e Moraes.
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O Supremo também marcou para 23 de setembro uma sessão específica para tratar de questionamentos envolvendo a atuação de André Mendonça. Segundo Fachin, os dois procedimentos possuem objetos diferentes e estão em momentos processuais distintos.