Adiamento da votação no Congresso levou aliados de Jair Bolsonaro a preparar críticas ao presidente Lula, enquanto parlamentares divergem sobre a tramitação da proposta.
O adiamento da votação sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional abriu uma nova frente de disputa política entre governistas e oposição. Lideranças bolsonaristas pretendem explorar o assunto para questionar o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema, segundo informações da coluna de Igor Gadelha, publicada nesta quinta-feira (5).
A estratégia da oposição é argumentar que Lula teria deixado de cumprir um compromisso assumido durante a campanha eleitoral. Na reta final do segundo turno, o presidente manifestou apoio à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, como estupro, homicídio e tortura.
Antes da eleição, o senador Camilo Santana (PT-CE) chegou a apresentar uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para incluir a mudança. A iniciativa buscava estabelecer a redução apenas para crimes considerados mais graves, em contraposição à proposta defendida por parlamentares da oposição.
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Após o resultado eleitoral, entretanto, governistas e oposicionistas concordaram em retirar o tema da PEC da Segurança Pública e discutir a redução da maioridade penal separadamente. A articulação teve como objetivo permitir a aprovação do texto principal sem alterações e evitar que a proposta precisasse retornar à Câmara dos Deputados.
Na quarta-feira (4), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a discussão sobre a maioridade penal seguirá pela PEC 32/2015, que já está em análise em uma comissão especial da Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que não há uma data definida para a votação em plenário, embora exista o compromisso de avançar com o tema ainda em novembro.
A decisão provocou insatisfação entre parlamentares da oposição, que esperavam uma tramitação mais rápida no Senado. O senador Rogério Marinho (PL-RN) defende uma proposta que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos de forma geral e para 14 anos em determinados crimes graves. Já a iniciativa de Camilo Santana estabelece a mudança para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.
Enquanto isso, lideranças bolsonaristas pretendem utilizar o adiamento para reforçar críticas ao governo e associar a decisão à posição de Lula sobre a segurança pública. A avaliação relatada nos bastidores é de que o episódio poderá ser explorado politicamente, principalmente diante das declarações feitas pelo presidente durante a campanha eleitoral.
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Com a retirada do tema da PEC da Segurança Pública, o debate continuará em propostas específicas no Congresso Nacional. A discussão envolve diferentes posições sobre a responsabilização de adolescentes por crimes graves e deverá passar por novas etapas de análise antes de uma eventual votação definitiva.