Candidata afirmou que eleitor pode aceitar eventual dinheiro oferecido em troca do voto e depois escolher livremente na urna; declaração gerou repercussão por envolver conduta prevista no Código Eleitoral
A candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo (PL) encerrou sua participação no debate da TV A Crítica, realizado na noite desta segunda-feira (28), com uma declaração sobre compra de votos que ganhou destaque entre os momentos finais do encontro.
Durante as considerações finais, Maria do Carmo afirmou que, caso alguém tente comprar o voto do eleitor, ele poderia receber o dinheiro e, posteriormente, escolher livremente o candidato na urna.
“Vão tentar comprar o seu voto, com o dinheiro que veio do seu bolso. Diga não, mas aceite [o dinheiro] e vote pela sua consciência, porque o voto é secreto”, declarou.
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A fala chama atenção porque o Código Eleitoral prevê como crime não apenas oferecer ou prometer vantagem em troca de voto, mas também solicitar ou receber dinheiro, presente ou qualquer outra vantagem com essa finalidade. A aplicação da legislação, entretanto, depende da análise das circunstâncias concretas pelas autoridades competentes.
Antes da declaração, Maria do Carmo utilizou o tempo destinado às considerações finais para defender sua trajetória pessoal e política. Ela afirmou ter construído sua história por meio do trabalho e dos estudos e criticou os adversários, argumentando que parte deles já teve a oportunidade de administrar o Estado e não conseguiu transformar a realidade do Amazonas.
Maria do Carmo e o candidato a vice, Isael Munduruku (Rede), não levaram os respectivos companheiros de chapa para o encerramento do debate e, com isso, não utilizaram o minuto adicional destinado aos vices.
O candidato a vice-governador Serafim Corrêa (PSB), que integra a chapa de Roberto Cidade (União Progressista), aproveitou seu espaço para relembrar a experiência política acumulada como prefeito de Manaus, vereador e deputado estadual.
Serafim afirmou que pretende colocar a experiência adquirida ao longo da carreira à disposição da candidatura e pediu votos para a chapa. “Agora é reta final, é hora de pedir voto”, declarou. Em seguida, incentivou cada eleitor a conquistar outros quatro votos para a chapa 44.
Roberto Cidade, candidato à reeleição, utilizou suas considerações finais para defender ações de sua administração e responder às críticas feitas durante o debate. “Tudo o que eles estão prometendo, nós já estamos fazendo”, afirmou.
Entre as ações mencionadas pelo candidato estão reformas em unidades de saúde, entrega de hospital, pagamentos a médicos e iniciativas na área de segurança pública. Cidade também prometeu realizar um concurso para a educação estadual com mais de 7 mil vagas, além de ampliar o Auxílio Estadual Permanente e dobrar o benefício destinado a mães e pais atípicos.
Ao comentar os embates ocorridos durante o debate, Roberto Cidade afirmou que os adversários estariam unidos contra sua candidatura. “Esse caboclo amazonense aqui não foge dos desafios”, disse.
Isael Munduruku concentrou sua participação final na tentativa de apresentar sua candidatura como uma alternativa aos nomes que já ocuparam cargos de destaque na política amazonense.
O candidato citou Omar Aziz, David Almeida e Roberto Cidade e afirmou que os três possuem trajetórias políticas conhecidas. Também colocou Maria do Carmo entre os grupos tradicionais da política estadual. “Se existe uma novidade nesta eleição de 2026, é o nome de Isael Munduruku”, afirmou.
Ao falar sobre sua origem, Munduruku destacou a ligação com o interior do Amazonas e mencionou experiências relacionadas à vida nas comunidades. “Chega de urubu, escuta o Munduruku”, declarou.
Na chapa de David Almeida, a candidata a vice-governadora Shádia Fraxe (Avante) concentrou o discurso na área da saúde. Ela prometeu medidas para reduzir a fila do Sisreg, incluindo a implantação do chamado “corujão da saúde” e a contratação de hospitais particulares para ampliar os atendimentos.
David Almeida, por sua vez, destacou ações realizadas durante sua administração em Manaus. Entre os exemplos citados estão o passe livre estudantil, investimentos em saúde e educação, asfaltamento de ruas, renovação da frota de ônibus, Prato do Povo, reformas de mercados e feiras e medidas voltadas aos servidores municipais.
Já Alessandra Campelo (PSD), candidata a vice na chapa de Omar Aziz, direcionou sua fala principalmente às mulheres e aos jovens. Ela apresentou a experiência política do senador como um dos principais pontos da candidatura.
Omar Aziz relembrou ações de sua passagem pelo Governo do Amazonas e apresentou propostas para um eventual novo mandato. Entre elas estão a construção de 40 mil casas, três maternidades e um hospital voltado ao atendimento de idosos, além de concursos para as polícias Militar e Civil.
“Eu sou do centro. Eu não sou da velha política nem da nova política, eu sou o cara que faz a boa política”, declarou.
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O debate terminou com os candidatos reforçando propostas e críticas apresentadas ao longo do encontro. A fala de Maria do Carmo sobre eventual recebimento de dinheiro oferecido em troca de votos, porém, foi um dos pontos que mais repercutiram no encerramento.
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