Advogados afirmam que aparelho apresentou alterações enquanto estava sob custódia policial e contestam a integridade das provas; defesa também voltou a pedir a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do liquidado Banco Master, informou que apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (29), uma petição com questionamentos sobre a perícia realizada no celular do empresário. Segundo os advogados, registros técnicos indicam que 436 arquivos foram criados no aparelho após a apreensão, ocorrida em 17 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com a defesa, o celular foi manuseado entre 23h22 de 17 de novembro e 2h25 do dia seguinte, período em que já estava sob custódia policial e com o modo avião ativado.
Os advogados afirmam que o relatório oficial registrou 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo componente de reconhecimento facial e três conexões pela porta USB.
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Outro ponto levantado pela defesa é a alteração do banco de dados do WhatsApp às 1h48min14s, seis segundos depois de uma das conexões USB identificadas no aparelho. Para os advogados, os registros exigem esclarecimentos sobre quem acessou o dispositivo e quais procedimentos foram realizados.
DEFESA APONTA DIVERGÊNCIAS NOS REGISTROS DOS ARQUIVOS
Na petição apresentada ao STF, os advogados afirmam que, em 18 de novembro de 2025, foram modificados 657 arquivos, dos quais 59 seriam bancos de dados. No mesmo período, teriam sido criados 436 arquivos, incluindo 94 imagens e cinco bancos de dados.
A defesa também questiona a existência de registros de modificação posteriores à extração do conteúdo do aparelho. Segundo os advogados, a extração foi realizada em 19 de novembro de 2025, mas o relatório entregue à equipe jurídica contém 340 arquivos com datas de modificação de 13 e 14 de maio de 2026.
Para os representantes de Vorcaro, as diferenças precisam ser esclarecidas tecnicamente, pois podem comprometer a verificação da integridade e da origem dos dados apresentados na investigação.
ADVOGADOS QUESTIONAM PROCEDIMENTOS DE APREENSÃO E PERÍCIA
A defesa também apontou supostas falhas na documentação da apreensão do celular. Segundo a petição, o termo assinado durante a madrugada não identificaria informações como marca, número de série, IMEI, estado do aparelho e lacres de segurança.
Os advogados afirmam ainda que o campo destinado à identificação do lacre estaria em branco no pedido de perícia e que os números teriam sido registrados apenas em uma anotação manuscrita sobre uma fotocópia. A equipe jurídica também questionou o uso da mesma fotografia para representar dois aparelhos diferentes.
Outro argumento apresentado diz respeito à ausência de informações técnicas no laudo oficial, como a versão da ferramenta utilizada e o método empregado para desbloquear o dispositivo.
A perícia mencionada pela defesa foi realizada por Marcos Monteiro. Segundo os advogados, os documentos disponibilizados não permitiriam verificar integralmente o conteúdo extraído, sua correspondência com o relatório apresentado nem a origem das alterações registradas.
A defesa também afirmou que o material relacionado à investigação inclui conversas utilizadas para sustentar as suspeitas contra Vorcaro, além de mensagens íntimas e diálogos com advogados que teriam sido divulgados pela imprensa. Segundo a equipe jurídica, a perícia foi solicitada porque o ex-banqueiro não reconhece a veracidade de diversos conteúdos vazados.
PETIÇÃO OCORRE APÓS INDICIAMENTO PELA POLÍCIA FEDERAL
A manifestação foi apresentada um dia depois de a Polícia Federal indiciar Vorcaro por suspeitas de gestão fraudulenta, prestação de informações falsas, fraude, organização criminosa, participação de funcionário público e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, o ex-banqueiro teria conhecimento da origem e das inconsistências de créditos considerados problemáticos que foram vendidos ao Banco de Brasília (BRB).
As suspeitas fazem parte da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e operações financeiras relacionadas à instituição.
DEFESA VOLTA A PEDIR MEDIDAS ALTERNATIVAS À PRISÃO
No documento encaminhado ao STF, os advogados reiteraram o pedido para substituir a prisão preventiva de Vorcaro por medidas cautelares.
A defesa sustenta que as supostas falhas na documentação e na análise do celular dificultariam a verificação técnica das provas utilizadas na investigação. Caberá à Justiça avaliar os argumentos apresentados e decidir sobre os pedidos formulados pela equipe jurídica.
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As alegações sobre possíveis irregularidades na apreensão e na perícia foram apresentadas pela defesa e ainda dependem de avaliação judicial.