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Delegado Da Cunha é acusado de refazer resgate de vítima do PCC para gravar vídeo. VEJA AS IMAGENS
Foto: Divulgação

Processo administrativo aponta que policial teria usado estrutura da Polícia Civil para reproduzir operação destinada a conteúdo publicado em seu canal no YouTube

Uma operação da Polícia Civil que terminou com o resgate de uma vítima de um suposto “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC) teria sido refeita diante das câmeras por determinação do então delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha.

 

O caso ocorreu em julho de 2020, na Vila Nhocuné, Zona leste de São Paulo, e passou a integrar o processo administrativo que resultou na demissão de Da Cunha da Polícia Civil, determinada nesta quinta-feira (3) pelo governador Tarcísio de Freitas e publicada no Diário Oficial do Estado.

 

A decisão, porém, foi suspensa horas depois por uma liminar da Justiça.

 

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VÍTIMA TERIA SIDO COLOCADA NOVAMENTE NO CATIVEIRO

 

Segundo documentos do processo administrativo, a operação original foi realizada por policiais da 8ª Delegacia Seccional. Na ocasião, o então delegado assistente Denis Ramos Camargo prendeu o suspeito Rodney Chabes de Souza e libertou a vítima, que estaria sob ameaça de ser submetida a um julgamento pelo PCC.

 

Ainda conforme o processo, Da Cunha chegou ao local posteriormente acompanhado de um cinegrafista e determinou que a ação fosse reproduzida.

 

A vítima teria sido informada de que as imagens seriam utilizadas como registro policial. De acordo com seu relato, somente depois descobriu que o material seria destinado ao canal do delegado no YouTube.

 

O documento aponta que foram realizadas duas gravações. Na primeira, o suspeito aparecia algemado. Em uma segunda filmagem, as algemas teriam sido retiradas, e a vítima permaneceu novamente dentro do barraco ao lado do sequestrador por aproximadamente seis a sete minutos.

 

PROCESSO RESULTOU EM DEMISSÃO

 

A denúncia sobre a suposta encenação chegou à Polícia Civil em agosto de 2021. No mês seguinte, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o episódio.

 

O parecer final do procedimento considerou comprovado que Da Cunha teria utilizado servidores e estrutura da Polícia Civil para produzir conteúdo de caráter particular.

 

Com base no processo, Tarcísio de Freitas determinou a demissão do policial a bem do serviço público nesta quinta-feira.

 

Poucas horas depois, entretanto, o desembargador Álvaro Torres Júnior concedeu uma liminar suspendendo os efeitos da decisão e determinando a permanência de Da Cunha nos quadros da Polícia Civil.

 

Segundo o magistrado, novos elementos utilizados para agravar a punição não teriam sido apresentados previamente à defesa, o que teria comprometido o direito de manifestação do acusado.

 

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Da Cunha afirmou à imprensa que considera a demissão resultado de “perseguição política”. 

 

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