Roberto Cidade, o Cocô de Ouro
O sistema de transporte coletivo de Manaus se tornou o centro de uma disputa política e financeira entre a Prefeitura de Manaus, o Governo do Amazonas e as empresas de ônibus. Em meio às cobranças públicas sobre supostos atrasos no custeio do Passe Livre Estudantil, o Governo do Estado efetuou um depósito de R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
O repasse foi anunciado pelo vice-governador Serafim Corrêa e ocorreu após declarações do prefeito Renato Júnior e de representantes das empresas apontando uma dívida estadual relacionada ao transporte de estudantes da rede pública estadual.
Apesar do pagamento, o valor representa apenas parte dos R$ 90,1 milhões que o Sinetram afirma ter a receber. A crise ganhou ainda mais repercussão após a paralisação dos rodoviários, que afetou milhares de usuários do transporte coletivo na capital amazonense.
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PREFEITURA COBRA REPASSES E APONTA DÍVIDA DO ESTADO
Segundo a Prefeitura de Manaus, somente em 2026 foram destinados cerca de R$ 284 milhões em subsídios ao sistema de transporte coletivo. A administração municipal afirma que todos os pagamentos de sua responsabilidade foram realizados regularmente.
Durante coletiva de imprensa, o prefeito Renato Júnior atribuiu ao Governo do Amazonas a responsabilidade pela falta de repasses referentes ao Passe Livre Estudantil dos alunos da rede estadual. Ele também desafiou o governador Roberto Cidade a apresentar comprovantes dos pagamentos efetuados ao Sinetram.
A Prefeitura sustenta que continuará garantindo a gratuidade dos estudantes da rede municipal e que buscará medidas judiciais para assegurar o benefício aos alunos da rede estadual.
GOVERNO ANUNCIA DEPÓSITO DE R$ 18 MILHÕES
Em resposta às acusações, o Governo do Amazonas informou que realizou o depósito de R$ 18 milhões ao Sinetram. De acordo com o vice-governador Serafim Corrêa, o valor corresponde aos repasses considerados de responsabilidade do Estado referentes aos últimos seis meses de utilização do benefício estudantil.
Segundo o governo, o cálculo segue determinação judicial que estabelece o pagamento de R$ 2,50 por passagem estudantil.
“O que é responsabilidade do Estado está definido em decisão judicial e corresponde a R$ 3 milhões por mês. Em seis meses, o valor totaliza R$ 18 milhões”, afirmou Serafim.
ESTADO CONTESTA CÁLCULOS APRESENTADOS PELO SINETRAM
O principal impasse entre as partes está relacionado ao valor utilizado para calcular o custo do transporte dos estudantes.
Enquanto o Sinetram defende que a compensação deve considerar a tarifa técnica do sistema, estimada entre R$ 8 e R$ 9 por passageiro, o Governo do Amazonas sustenta que deve seguir o valor de R$ 2,50 definido pela Justiça.
Segundo Serafim Corrêa, essa divergência é a principal responsável pela diferença entre os valores cobrados pelas empresas e aqueles reconhecidos pelo Estado.
GOVERNO APONTA DÍVIDA DA PREFEITURA
Durante a coletiva, o Governo do Amazonas também apresentou documentos que, segundo a administração estadual, indicariam a existência de uma dívida de aproximadamente R$ 190,4 milhões da Prefeitura de Manaus com as empresas de transporte coletivo.
A informação teria sido extraída de um Mandado de Segurança apresentado pelo próprio Sinetram à Justiça do Trabalho.
A Prefeitura, por sua vez, nega qualquer inadimplência e reafirma que os repasses municipais ao sistema estão sendo realizados regularmente.
CRISE CONTINUA SEM SOLUÇÃO DEFINITIVA
Embora o depósito dos R$ 18 milhões tenha sido realizado, a divergência sobre os valores devidos ao sistema de transporte coletivo permanece sem solução definitiva.
Enquanto o Governo do Amazonas considera a pendência referente ao período já quitada, o Sinetram continua sustentando a existência de um passivo superior a R$ 90 milhões.
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A disputa segue repercutindo no cenário político estadual e afeta diretamente milhares de usuários que dependem diariamente do transporte coletivo em Manaus.